Camaronês que vive há 26 anos no Paraguai defendeu o país: "Nunca me senti discriminado"
Cidadão africano questionou generalizações sobre o Paraguai em redes sociais
Em meio ao debate gerado em redes sociais pelas declarações da senadora Celeste Amarilla sobre o jogador da seleção de futebol da França, Kylian Mbappé, que desmereceu o goleiro paraguaio Orlando Gill durante o último jogo da albirroja na Copa do Mundo 2026, um cidadão camaronês saiu em defesa do Paraguai.
Trata-se de Kweta Kenneth Nju, que publicou um vídeo em suas redes sociais no qual defendeu o Paraguai e garantiu que, durante os 26 anos que vive no país, jamais sofreu atos de discriminação.
O cidadão africano questionou que se generalize a imagem de um país inteiro a partir das expressões de uma única pessoa e sustentou que a realidade que ele experimentou dista daquela que se instalou nas redes sociais.
"O Paraguai é uma terra abençoada. Estou aqui desde 2001, tenho três filhas e nem por decreto presidencial vou trocar de país. Vou ficar no Paraguai até quando morrer", expressou no início de sua mensagem.
Nju afirmou que, ao longo de mais de duas décadas de residência, sempre encontrou hospitalidade e proximidade por parte dos paraguaios. "Nunca, jamais na minha vida, senti rejeição nem discriminação. O que estou lendo nas redes sociais não representa o que eu vivi neste país", manifestou.
Como exemplo, recordou uma experiência recente ao regressar de Camarões acompanhado por três jovens jogadores de futebol. Contou que realizaram trabalhos físicos na Costanera de Assunção e que a resposta das pessoas foi de curiosidade, respeito e aceitação.
"Terminávamos o treino e era impossível sair porque as pessoas queriam se aproximar, conversar com a gente e compartilhar. Isso foi aceitação ao máximo", relatou.
O cidadão camaronês pediu que as declarações de uma autoridade não sejam utilizadas para desqualificar toda a sociedade paraguaia. "Não vão pegar as palavras de uma única pessoa para matar um país inteiro. Não é assim", enfatizou.
Além disso, destacou que o maior valor que encontrou no Paraguai é o trato de sua gente. "O calor humano que existe aqui não vais encontrar em outro lugar. Te convidam para comer, compartilhar, conversar. As pessoas são curiosas e querem conhecer os outros", afirmou.
Finalmente, reiterou sua decisão de permanecer no país apesar da controvérsia. "Nem com decreto presidencial vou trocar de país. Vou estar aqui até quando morrer", concluiu. O vídeo se viralizou rapidamente e gerou numerosas reações de usuários que valorizaram seu testemunho em meio à discussão pública sobre discriminação, xenofobia e inclusão no Paraguai.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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