Butão se abre ao mundo com novas infraestruturas turísticas
Novo aeroporto em Gelephu marca transformação do reino himalaiense mantendo controle sobre turismo de qualidade
Um reino que se abre gradualmente
O remoto reino do Butão, localizado entre as dobras montanhosas do Himalaia, foi historicamente uma nação com acesso limitado ao turismo internacional. Durante séculos permaneceu majoritariamente fechado ao exterior, começando a receber visitantes internacionais apenas em 1974 sob uma estratégia de turismo controlado.
Estratégia de "Alto Valor, Baixo Volume"
Desde seus primórdios na década de 1970, o Butão adotou uma política distintiva para proteger seu patrimônio cultural e evitar o turismo em massa. Antes da pandemia, os visitantes precisavam reservar por meio de operadores turísticos autorizados e pagar tarifas diárias entre US$200 e US$250, que incluíam hospedagem, refeições, guia, transporte e a taxa de desenvolvimento sustentável.
A partir de 2022, o modelo foi modificado com a implementação de uma Taxa de Desenvolvimento Sustentável (SDF) de US$100 por adulto por noite, adicional aos custos da viagem.
O desafio do acesso: Aeroporto de Paro
Atualmente, Paro é o único aeroporto internacional do Butão, localizado a 2.243 metros de altitude em um vale montanhoso estreito. Devido à sua localização geográfica única, é considerado um dos aeroportos mais difíceis do mundo para pousar.
Características técnicas destacadas:
- Montanhas de 5.500 metros se elevam ao redor do aeroporto
- Os pousos e decolagens requerem múltiplas curvas fechadas
- Os pilotos devem se orientar totalmente pela visão, sem assistência de radar nem computadores
- Menos de 50 pilotos no mundo estão qualificados para pousar lá
Em 2025, o aeroporto recebeu 88.546 visitantes, número que reflete as limitações operacionais atuais. Viajantes da América do Norte e Europa devem passar vários dias em trânsito com escalas em cidades como Bangkok, Catmandu e Délhi, com passagens que superam US$1.200.
A transformação: Aeroporto de Gelephu
O novo Aeroporto Internacional de Gelephu representa um marco importante na abertura controlada do Butão. Com inauguração programada para 2029, o projeto conquistou o prêmio de Projeto do Futuro do Ano no Festival Mundial de Arquitetura de 2025.
Design e características:
O terminal está esculpido em madeira butanesa, projetado para regular a umidade de forma natural. O design evoca as paisagens montanhosas que cercam a região e conta com espaços dedicados a banhos de gongo, ioga e meditação, integrando elementos culturais na infraestrutura.
Com uma capacidade prevista de 123 voos diários, o novo aeroporto será significativamente mais acessível do que Paro, facilitando a entrada de viajantes internacionais.
A Cidade da Atenção Plena de Gelephu
O aeroporto funciona como porta de entrada para a ambiciosa Cidade da Atenção Plena de Gelephu (CMG), projeto que busca transformar o sul do país e tornar o Butão muito mais acessível para viajantes internacionais mantendo seu foco em turismo de qualidade.
O rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck participou ativamente na preparação do terreno, cortando palmeiras e rastilhando ervas daninhas junto a 12.000 voluntários em Gelephu, próximo à fronteira com a Índia.
Preservando a identidade única
Apesar da expansão de infraestruturas de acesso, o Butão mantém seu compromisso com o modelo único de turismo controlado de alto valor. O país está decidido em garantir que o crescimento de visitantes não comprometa sua estratégia de preservação cultural.
Como resultado dessa política, o Butão foi historicamente percebido como um destino esquivo e exclusivo, onde a dificuldade de acesso forma parte essencial de seu atrativo e mística internacional.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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