Brasil evita apoiar um reparto fixo da cota carnícia e vê difícil modificar o esquema de acesso à Europa
O debate sobre a distribuição das cotas cárnicas do acordo entre o Mercosul e a União Europeia segue sem uma posição unificada dentro do bloco. Desde Brasil, a visão é de cautela e, ao menos por enquanto, não existe um respaldo para estabelecer um reparto definitivo entre os países membros.
Enquanto isso, o presidente do Paraguay, Santiago Peña, foi contundente no marco da Cúpula do Mercosul que se celebrou em Assunção.
A respeito da posição do Brasil, Gedeao Pereira, primeiro vice-presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ex-presidente do Foro Mercosul da Carne (FMC), reconheceu que as conversações entre os representantes privados do Mercosul praticamente se encontram paralisadas e que ainda não existe consenso sobre como administrar os contingentes de exportação para a Europa.
Durante uma entrevista concedida a Valor Agregado no Uruguay, Pereira recordou que o tema foi amplamente discutido no âmbito do Foro Mercosul da Carne, integrado por representantes do Brasil, Paraguay, Argentina e Uruguay.
"Havia um entendimento sobre determinados percentuais para cada país, mas faz mais de um ano que não voltamos a nos reunir", assinalou o dirigente brasileiro, refletindo a falta de avanços em uma negociação que adquire cada vez maior relevância para a região.
Nesse contexto, considerou que o cenário mais provável continua sendo o mecanismo atual de utilização dos cotas, baseado no critério de "primeiro chegado, primeiro servido", um sistema que Paraguay questiona e busca substituir por uma distribuição equitativa entre os quatro sócios do Mercosul.
Pereira também questionou que Paraguay possa alcançar o 25% de participação que reclama dentro das cotas regionais, ainda que evitasse aprofundar sobre qual deveria ser o percentual correspondente a cada país.
Além do mecanismo de reparto, o dirigente brasileiro questionou o tamanho da cota negociada com a União Europeia.
Recordou que o acordo contempla apenas 99.000 toneladas de carne bovina para todo o Mercosul, um volume que considerou reduzido diante da capacidade exportadora do Brasil, Argentina, Paraguay e Uruguay.
Inclusive sinalizou que apenas Brasil exportou cerca de 127.000 toneladas de carne para o mercado europeu durante 2025, razão pela qual entende que o contingente acordado resulta insuficiente para abastecer a demanda do bloco europeu.
Em sua opinião, a Europa continua necessitando proteína animal importada e deverá seguir recorrendo a fornecedores do Mercosul, independentemente das restrições comerciais que hoje tenta aplicar.
A definição sobre o reparto das cotas aparece hoje como um dos principais temas pendentes dentro do acordo Mercosul-União Europeia e promete seguir ocupando um lugar central nas negociações entre os países do bloco durante os próximos meses.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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