Backrooms: do fenômeno viral da internet ao sucesso cinematográfico de 2026
A adaptação de A24 conquista públicos globais com estética perturbadora baseada em conceito criado em 4chan
Do conceito viral ao cinema de Hollywood
Um pôster de filme que mostra uma parede coberta de papel de parede amarelo se tornou um dos símbolos mais reconhecíveis do cinema de 2026. Trata-se de Backrooms (Backrooms: sem saída), a mais recente produção de terror do estúdio A24 que conquistou milhões de espectadores em todo o mundo.
O filme é direcionado a um público particular: aquele que encontra terror no perturbador e inquietante mais do que em elementos tradicionais do gênero como efeitos visuais extremos ou violência explícita.
Origens de um fenômeno da internet
O conceito de Backrooms surgiu em 2019, quando usuários anônimos do fórum 4chan foram convidados a compartilhar imagens que simplesmente lhes parecessem estranhas. Um usuário publicou uma fotografia de um escritório abandonado com papel de parede de cor amarelo-mostarda e iluminação fluorescente, acompanhada de uma descrição memorável que definia esses espaços como zonas intermediárias perturbadoras.
A publicação descrevia os Backrooms como salas inquietantes, abandonadas e sem fim à vista, caracterizadas pelo cheiro de carpete velho e úmido, pela uniformidade da cor amarela, e pelo zumbido constante das luzes fluorescentes. O conceito ressoou profundamente com milhões de pessoas.
Do YouTube para a tela grande
O conceito se transformou em uma minissérie do YouTube enormemente popular criada por Kane Parsons, que tinha apenas 16 anos quando começou o projeto. Parsons utilizou o software de modelagem 3D Blender para criar ambientes visuais que superavam as limitações do seu orçamento inicial.
Atualmente, a série do YouTube acumula mais de 200 milhões de visualizações, o que demonstra o alcance massivo que o conceito atingiu em plataformas digitais.
Produção cinematográfica
O sucesso do conteúdo digital atraiu a atenção do poderoso estúdio A24, responsável por produções indicadas ao Óscar como The Substance. O estúdio recrutou Parsons, agora com 20 anos, para desenvolver uma adaptação cinematográfica.
Parsons se tornou o diretor mais jovem na história da A24. Em 2023, foi estabelecido um objetivo claro: transportar o universo dos Backrooms para a tela grande mantendo a essência de sua série do YouTube.
Realização técnica e orçamento
O filme foi produzido com um orçamento de US$ 10 milhões, relativamente modesto para uma produção de Hollywood. Apesar disso, conseguiu arrecadar mais de US$ 100 milhões em bilheteria no nível global em menos de uma semana após seu lançamento.
O que distingue a produção cinematográfica é a construção de cenários físicos. A equipe responsável construiu um imenso set de aproximadamente 2.800 metros quadrados baseado nos designs originais realizados em Blender por Parsons. Essa abordagem garantiu uma fisicalidade real que diferencia o filme de sua contraparte no YouTube.
Preservando a essência visual
A estética do filme mantém similaridades com o primeiro vídeo de Parsons no YouTube, intitulado Found Footage (material encontrado), que acumula 80 milhões de visualizações. Esse vídeo apresentava imagens instáveis gravadas com uma câmera de vídeo dos anos 1990, mostrando o inquietante edifício de escritórios com tonalidades amareladas que se tornou o ícone do conceito.
Parsons oferece um conselho sombrio para quem se aventurar nos Backrooms: "Faça as pazes com o lugar antes de mais nada, porque não gosto de dar falsas esperanças"
Significado do fenômeno
O sucesso de Backrooms representa um caso notável de como conceitos criados em comunidades da internet podem escalar para produções cinematográficas de grande envergadura. A transformação de uma imagem perturbadora compartilhada anonimamente em um estúdio de cinema bem-sucedido ilustra o poder das comunidades online na criação de cultura contemporânea.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.