Bachi agora sugere cortes nos três poderes do Estado e chama para conformar comissão de crise
O senador Basilio Núñez sustentou que a análise do Orçamento Geral da Nação deve permitir identificar partidas que possam ser eliminadas ou reduzidas, e considerou que a revisão não deve limitar-se ao Poder Legislativo.
"Se há viagens desnecessárias de legisladores, cortemos. Mas assim como cortamos viagens desnecessárias de legisladores, vamos cortar também de ministros, de viceministros e de diretores de entidades e de funcionários que se passam viajando dos três poderes", afirmou.
Núñez apontou que, embora os legisladores sejam representantes do povo e precisem realizar determinadas viagens, existe uma grande quantidade de funcionários dos três poderes que também se deslocam constantemente, razão pela qual considerou necessário revisar esses gastos no marco do Orçamento 2027.
O legislador também recordou a chamada Lei Godoy, que visa reduzir gastos supérfluos, e sustentou que, se necessário, poderia modificar-se ou ajustar-se a normativa para ampliar os cortes.
"Se é que temos que refinar essa lei ou modificar para que seja uma lei de cortar mais gastos supérfluos, cortemos", manifestou. Na mesma linha, pediu que o Congresso dê o exemplo e levantou revisar até gastos internos. "Se há combustível, tiremos. Se há gratificações que estão sendo dadas indevidamente, tiremos", sinalizou, ao tempo em que mencionou outros gastos que poderiam ser revisados.
Quanto ao levantamento da senadora Lilian Samaniego, de cortar recursos destinados a consultorias, Núñez sustentou que se deve analisar caso a caso antes de dispor a eliminação de partidas orçamentárias.
"Olhando os títulos, um pode dizer sim, pode ser. Agora há que ver se essa consultoria não é para construir o corredor sudoeste, não é para construir alguma ponte que aprovamos, não é para fiscalizar, por exemplo, transitabilidade urbana em um departamento", explicou. "Deve haver, mas não podemos vestir um santo para desvestir outro", sustentou.
O presidente do Congresso levantou conformar uma comissão de crise no Senado para tentar evitar a greve médica anunciada para 21 e 22 de setembro.
"Eu convido a todos os que estão chamando novamente para a greve a conversar aqui no Senado. Vamos constituir, se corresponder, uma comissão de crise", afirmou.
A proposta contempla a participação de líderes e vice-líderes das bancadas, além de médicos, sindicatos e sociedades científicas, com o objetivo de ouvir os reclamos e buscar alternativas antes de que se concretize a medida de força.
Núñez reconheceu que existe uma crise no setor de saúde e admitiu que várias das reivindicações levantadas pelos médicos são legítimas. Entre os avanços mencionou o aumento do orçamento para medicamentos e insumos, o pagamento dos dias feriados e as nomeações do pessoal sanitário.
O ponto que continua pendente, segundo indicou, é o reclamo salarial. "Como médico, não pode desconhecer que tem que haver reivindicações. Tem que haver reivindicações que têm que ser justas e se ajustarem ao nosso orçamento, à nossa realidade", manifestou.
Núñez também expressou sua preocupação com as renúncias de médicos especialistas e pediu ao sindicato otorgar mais tempo para alcançar um acordo.
"Me dói ver colegas que estão apresentando sua renúncia. Renunciam cirurgiões pediátricos, renunciam intensivistas, neonatólogos e outros", sinalizou.
Advertiu que a saída desses profissionais terá um impacto direto sobre os pacientes, especialmente em áreas críticas da saúde pública.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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