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Política

Austeridade, eficiência e qualidade do gasto público

07/06/2026 10:45 4 min lectura 31 visualizações

Avançar para a qualidade do gasto vai muito além de decisões de cortes pontuais, já que durante anos essa foi a resposta, e no ano seguinte continuou o mesmo problema. De fato, o próprio decreto assinala a necessidade de controlar o gasto em serviços não essenciais ou erogações não prioritárias. A pergunta é por que se incluíram esses gastos em 2025 se já havia se prometido austeridade.

No contexto atual, para além da austeridade assinalada, é necessário intervir com urgência em quatro ámbitos que erosionam a confiança cidadã e a solvência do Tesouro: as ineficiências no sistema de contratações públicas, o custo financeiro derivado da dívida com fornecedores, a ineficácia e ineficiência na gestão do emprego público, e o déficit da Caixa Fiscal.

O sistema de compras públicas é o instrumento que vincula os recursos estatais e a provisão de bens e serviços básicos. Historicamente, as contratações no setor público paraguaio estiveram repletas de assimetrias de informação, colusão, sobrecustos, tráfico de influências, provisão de bens e serviços de baixa qualidade, má gestão de contratos e impunidade ante o inadimplemento. Nestes casos a solução não passa pela austeridade, mas por melhorar substancialmente a gestão das aquisições públicas.

A acumulação de dívida e atrasos nos pagamentos a fornecedores convertem o Estado em um comprador inadimplente ou imprevisível com altos custos financeiros sem retornos econômicos. O Estado compra mais caro porque paga tarde, e paga tarde porque o sobrecusto do que compra esgota seus recursos disponíveis. O custo financeiro, produto das dívidas a fornecedores, não terá nenhum retorno econômico para a cidadania; entretanto, não se pode lhe aplicar medidas de "austeridade".

O gasto em serviços pessoais absorve a maior parte dos ingressos tributários. A austeridade linear costuma se traduzir em suspensão de contratação ou a proibição genérica de aumentos salariais, medidas que ainda que contenham o crescimento do agregado, deterioram a capacidade operativa das instituições ao não distinguir entre setores sem benefício social e setores com déficit de pessoal que têm grandes dívidas com a cidadania como saúde, educação ou cuidados.

Em lugar de "austeridade" o que se necessita é melhorar a qualidade do gasto em recursos humanos implementando um serviço civil baseado em competências, meritocracia e resultados, o que exige incorporar no orçamento o pilar de remunerações baseadas em resultados.

O sistema de aposentadorias e pensões do setor público representa uma das maiores ameaças para a estabilidade macroeconômica devido ao déficit da Caixa Fiscal. Este tampouco é um problema conjuntural nem que se solucione com medidas de austeridade; é um defeito de design fiscalmente insustentável e socialmente regressivo.

O Decreto nº 6120/2026 marca uma rota para a contenção do gasto no curto prazo, mas deve ser o ponto de partida de uma transformação estrutural. A experiência internacional demonstra que os países que limitam sua estratégia fiscal à austeridade sofrem a deterioração de seus serviços públicos, o que por sua vez obstaculiza as oportunidades para um crescimento estável a longo prazo e gerador de empregos de qualidade. Em definitiva, limita o avanço para o desenvolvimento.

A sustentabilidade financeira do Estado paraguaio deve passar da discussão sobre quanto se gasta a como se gasta. Reduzir os sobrecustos nas compras do Estado mediante a erradicação da inadimplência com fornecedores, profissionalizar a função pública sob critérios rigorosos de idoneidade e reformar a estrutura previdenciária da Caixa Fiscal são as verdadeiras reformas que devolverão a eficiência e qualidade ao orçamento geral.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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