As razões e desafios das taxas altas
O reconhecido especialista Nouriel Roubini apontava recentemente que o impulso dos investimentos em tecnologia continua forte e que a economia mundial seguiria resiliente. Mas também advertiu que os desequilíbrios fiscais podem terminar se refletindo em maiores taxas de juros de longo prazo.
A situação dos Estados Unidos está justamente por trás dessa reflexão. A economia norte-americana mantém um bom ritmo de crescimento, apoiada nos bons resultados empresariais e no elevado investimento em inteligência artificial. Entretanto, o Federal Reserve – o banco central dos EUA – começou a elevar sua taxa de juros. A razão é que a inflação continua acima de seu objetivo. Além disso, as preocupações com a dívida pública mantêm altos os rendimentos dos títulos do Tesouro.
A Europa enfrenta uma situação algo diferente. O crescimento econômico é mais fraco, mas o aumento dos preços da energia voltou a gerar pressões sobre a inflação. Diante deste cenário, o Banco Central Europeu também vem elevando sua taxa de juros.
Na região, Brasil apresenta uma conjuntura particular em meio ao processo eleitoral. A atividade econômica desacelera e as taxas de juros seguem altas, apesar das sucessivas reduções da taxa de política monetária. As altas taxas de mercado refletem, entre outros fatores, a preocupação com uma dívida pública que continua aumentando.
Argentina mostra uma situação distinta. A inflação reduziu-se significativamente, enquanto a economia vem perdendo força. A última etapa do processo de desinflação está resultando mais difícil, apesar da melhora das contas públicas. As taxas de juros continuam sendo relativamente altas, num contexto em que persiste uma incerteza política com relação ao futuro.
Todos estes casos ilustram um ambiente de taxas de juros mais altas, ainda que por razões diferentes. É um problema que não afeta apenas a dívida nova. Também aparece quando chega o momento de refinanciar obrigações contraídas anos atrás.
Uma dívida que antes podia ser financiada a um custo relativamente baixo torna-se mais cara quando vence e deve ser renovada. Mesmo sem aumentar a dívida, o pagamento de juros pode subir e deixar menos recursos disponíveis para outros gastos ou investimentos. O problema é maior para os governos com déficits fiscais persistentes.
Isto é especialmente relevante para o Paraguai. Como economia aberta, nosso país não pode controlar as taxas de juros internacionais nem o preço da energia. Mas sim pode cuidar de suas próprias contas fiscais.
O Paraguai ainda conserva importantes fortalezas, entre elas a estabilidade macroeconômica e o grau de investimento. Entretanto, aparecem sinais de alerta. Em seu último informe sobre o país, a agência classificadora Fitch advertiu que as fraquezas na gestão das finanças públicas estão erosionando a credibilidade fiscal.
A advertência é relevante porque a credibilidade também influencia nas condições em que um país pode se financiar. A prioridade deveria ser recuperar a prudência na gestão das finanças públicas, com o compromisso em relação a uma trajetória fiscal sustentável e credível.
Num mundo de taxas de juros baixas, os erros fiscais podiam tardar em se evidenciar. Mas, num mundo de taxas altas, os mercados os cobram muito mais rapidamente.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.