Argentina: abate bovino caiu 13% no acumulado anual e participação de fêmeas foi a menor em sete anos
O abate bovino argentino voltou a mostrar sinais de contração durante agosto, em um cenário onde se destaca uma redução ainda mais marcada da participação de fêmeas. O movimento aparece como um dos indicadores mais claros de um processo de retenção de matrizes e recomposição do rebanho, após vários anos de elevada extração de vacas.
Durante agosto foram abatidas 1,01 milhões de cabeças de gado, volume que representou uma queda de 7,7% frente a julho e uma contração de 12,9% em comparação com agosto de 2025, de acordo com os dados divulgados sobre a atividade frigorífica argentina.
Mesmo corrigindo o efeito dos dias úteis, a atividade manteve uma tendência negativa. A média diária foi de 50.567 animais, cifra 3,1% inferior à do mês anterior e 8,6% menor em termos interanuais.
Nos primeiros oito meses de 2026, o abate acumulou 8,13 milhões de cabeças, o que supõe uma redução de 9,9% frente ao mesmo período de 2025. Exceto os machos inteiros jovens, todas as principais categorias apresentaram reduções interanuais.
As maiores quedas corresponderam a novilhos, com 15%; vacas, com 12,1%; novilhas, com 11,8%; e novilhinhos, com 7%.
O dado mais significativo de agosto esteve na composição do abate. As fêmeas representaram apenas 42,9% do total, a participação mensal mais baixa registrada em, no mínimo, os últimos sete anos.
No acumulado janeiro-agosto, o abate de fêmeas diminuiu em mais de meio milhão de cabeças em relação ao mesmo período do ano anterior. Sua participação dentro da atividade total se situou em 46,2%, um ponto percentual abaixo do registro observado entre janeiro e agosto de 2025.
A evolução do abate de vacas também reflete a mudança de tendência. Após ter atingido níveis próximos a 3 milhões de cabeças em períodos móveis de 12 meses durante o primeiro trimestre de 2024, começou uma redução sustentada. Após certa estabilização durante parte de 2025, a queda voltou a se aprofundar durante 2026 e em agosto o indicador se aproximou de 2,2 milhões de vacas.
A menor presença de fêmeas nos frigoríficos é considerada um indicador consistente com o início de uma fase de retenção de matrizes. Em termos pecuários, supõe que uma maior proporção de vacas e novilhas permanece dentro dos estabelecimentos com fins reprodutivos, uma decisão que permitiria aumentar a produção de bezerros e reconstruir gradualmente a oferta futura de gado.
Além disso, o comportamento ocorre em um contexto de menor abate geral, de modo que a evolução dos próximos meses será determinante para confirmar a profundidade do processo de retenção. Se sustentar-se uma extração reduzida de fêmeas, Argentina poderia avançar rumo a uma etapa de recomposição do rebanho bovino, ainda que com a contrapartida de uma disponibilidade mais limitada de oferta.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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