Após polêmicas, multinacional belga Jan De Nul se adjudica a concessão da hidrovia Paraná-Paraguai
O governo argentino de Javier Milei decidiu outorgar a concessão à empresa belga e sua sócia argentina Servimagnus, apesar das acusações de falta de transparência
Segundo informou o Ministério da Economia argentino em comunicado, o Governo de Javier Milei decidiu outorgar a concessão da hidrovia Paraná-Paraguai à Jan De Nul e sua sócia argentina Servimagnus por terem apresentado a melhor oferta no processo de licitação, no qual também participou a belga Dredging, Environmental & Marine Engineering (DEME).
O Governo argentino afirmou que durante o processo não foram apresentadas impugnações por parte das empresas participantes.
"A assinatura do contrato, prevista para dentro de um máximo de 30 dias, ativará uma redução de 13,5% nos custos logísticos", assegurou o comunicado.
A licitação havia ficado envolvida em polêmica depois que um consórcio de empresas norte-americanas que apoiavam a DEME enviou uma carta à Casa Branca e ao Governo argentino advertindo sobre falta de transparência na licitação e um suposto "viés" a favor de Jan De Nul.
A isso se somou uma carta que o republicano Brian Mast, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, enviou em abril ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na qual advertiu sobre supostos vínculos de Jan De Nul com entidades estatais chinesas.
Jan De Nul assegurou na época que, caso obtivesse a concessão por pedágio da hidrovia, não haveria participação de empresas chinesas nem "ingerência estatal externa" e que incorporaria "soluções tecnológicas fornecidas por companhias ocidentais", priorizando as provenientes dos Estados Unidos.
Este é o segundo processo de licitação para a concessão da hidrovia que vem realizando o Governo de Milei, depois que o primeiro fosse declarado nulo em fevereiro de 2025 diante da apresentação de uma única oferta, a da DEME, a qual o Executivo acusou naquele momento de tentar sabotar o processo, algo que a companhia negou.
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O novo operador da hidrovia obterá um ingresso médio de 618,6 milhões de dólares anuais durante o período base de concessão de 25 anos.
A hidrovia de 1.635 quilômetros constitui o canal de saída ao Atlântico de 80% das exportações argentinas —principalmente grãos e derivados— e de cargas provenientes do Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai.
A concessão da hidrovia esteve durante um quarto de século nas mãos de um consórcio integrado por Jan De Nul e a argentina Emepa, até que em setembro de 2021, após expirar o contrato, o Estado argentino se encarregou da administração da hidrovia e posteriormente contratou diretamente Jan De Nul para a execução das tarefas de dragagem e balizamento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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