Apesar de crise, Legislativo quer seguro vip por USD 6,2 milhões
Parlamento planeja gastar com medicina privada enquanto nega reajuste salarial a médicos
Diante da negativa do Governo em ceder às reivindicações salariais dos médicos e a consequente renúncia de quase 300 profissionais de saúde, a tensão vai aumentando. "Não há dinheiro" é a justificação oficial, enquanto contraditoriamente os parlamentares ostentam um seguro privado por USD 6,2 milhões em seu projeto orçamentário, além de manter outros gastos superfluos.
O PGN 2027 apresentado pelo Executivo contempla G. 39.899.800.000 para serviços de medicina prepaga e de saúde do Poder Legislativo, equivalentes a cerca de USD 6,2 milhões pela cotação atual. Ao desagregar os montantes, observa-se que algumas partidas inclusive registram aumentos com relação ao orçamento vigente.
A Câmara de Deputados prevê destinar G. 19.848 milhões, aproximadamente USD 3,3 milhões, ao seguro médico privado, quase G. 948 milhões a mais do que o orçado atualmente. Enquanto isso, o Senado projeta gastar G. 13.350 milhões, em torno de USD 2,2 milhões, o que representa um aumento de G. 441 milhões.
A única redução se registra na rubrica correspondente aos funcionários do Congresso Nacional, que contempla G. 6.701.800.000, cerca de USD 1,1 milhões, para 2027, G. 1.153 milhões menos do que no orçamento vigente.
Enquanto isso, o sistema público de saúde enfrenta um cenário cada vez mais crítico, marcado por dívidas acumuladas, falta de medicamentos, déficit de recursos e precarização das condições laborais do pessoal de saúde. Neste contexto, o contraste entre os recursos destinados à saúde privada de funcionários estatais e as dificuldades para financiar melhorias salariais para os médicos gera fortes questionamentos.
Um dos principais críticos destes gastos é o senador Eduardo Nakayama (PLRA), que propôs eliminar o seguro médico privado para destinar esses recursos, que seriam entre USD 100 milhões e 120 milhões, ao reajuste salarial dos médicos, que anunciaram uma nova greve para 21 e 22 de setembro.
Outros gastos. Embora o gasto previsto para viagens tenha tido uma diminuição, o montante continua elevado, representando G. 3.734 milhões em passagens e diárias para o próximo ano.
O Congresso Nacional busca cobrir G. 1.820 milhões, a Câmara de Deputados G. 1.684 milhões, enquanto o Senado destinaria G. 230 milhões a esta rubrica.
Sobre os questionamentos, pronunciou-se o presidente do Congresso, Basilio Bachi Núñez. "Se há viagens desnecessárias de legisladores, cortemos. Mas assim como cortamos viagens desnecessárias de legisladores, vamos cortar também de ministros, vice-ministros e de diretores de órgãos e de funcionários que se passam viajando dos três poderes", respondeu.
É habitual que responda dessa maneira para dissuadir críticas. Ocorreu o mesmo quando se viu obrigado a eliminar suas bonificações milionárias e promoveu a mesma medida para todas as instituições estatais, mas o cartismo arquivou o projeto. Igualmente havia impulsionado a modificação da aposentadoria vip parlamentar, com o fim de equiparar as condições com aqueles que contribuem à Caixa Fiscal, mas finalmente foi sancionada uma versão que mantém seus privilégios.
Quitutes. Outro dos gastos mais questionados refere-se aos itens de cerimonial e quitutes, em um contexto em que os legisladores abandonam sessões, provocando assim não apenas a interrupção do debate sobre os problemas que afligem o país, mas deixando também pendentes de estudo vários projetos.
As reuniões de mesas diretas não duram sequer uma hora. Apenas em caso de autoridades convidadas, esses espaços chegaram a se estender por cerca de três horas.
Por esses motivos é difícil encontrar a justificação para que o Legislativo gaste G. 659 milhões em cerimonial e serviço de catering em 2027.
O Congresso Nacional concentra G. 301 milhões desses recursos, seguido da Câmara de Deputados com G. 267 milhões e o Senado com G. 91 milhões.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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