Analista explica os pontos que preocupam a Asoban: há deterioração no sistema bancário?
O economista Manuel Ferreira conversou com a Monumental 1080 AM nesta segunda-feira sobre o tema que afeta os representantes da Associação de Bancos do Paraguai (Asoban), ao presidente da República, Santiago Peña, e ao Banco Central do Paraguai (BCP).
O encontro entre as partes ocorreu na semana passada, em meio a um pedido de relatórios à banca matriz sobre quatro bancos privados, a fim de dissipar dúvidas sobre a saúde do sistema financeiro.
A respeito disso, o ex-ministro da Fazenda apontou os pontos que preocupam o sindicato em relação a um banco.
"Se um banco tem USD 1.000 milhões em ativos, vai financiar esses ativos mais ou menos com USD 120 milhões próprios e cerca de USD 880 milhões do público. O público chama-se os depósitos, CDA, bono local ou internacional", explicou.
Se não há dinheiro suficiente ou se a carteira é de má qualidade, pode ocorrer que não haja fundos suficientes para pagar aos depositantes.
"Essa é a preocupação normal. Isso está regulado por uma série de resoluções e normativas que tem em geral a Superintendência de Bancos. No caso particular do Paraguai, é que essa Superintendência de Bancos depende do Banco Central", observou.
A Asoban assinala – de acordo com Ferreira – que, do 100% dos depósitos de um banco, 10% corresponde ao patrimônio próprio e 90% é financiado com dinheiro do público.
O analista indicou que, no Paraguai, o limite mínimo de solvência e solidez costuma situar-se em 12%. Embora a entidade registre 14,5% em junho deste ano, a Asoban adverte que "foi um número que foi caindo ao longo do tempo", seguindo com a análise de Ferreira.
Outro ponto vulnerável que observa o sindicato tem a ver com as empresas vinculadas, que são aquelas nas quais o banco ou os diretores têm participação acionária.
"O banco ou os mesmos acionistas do banco, têm que ter uma participação mínima em outra empresa para ser considerada empresa vinculada", acrescentou.
A normativa estabelece que a participação não pode superar 20% do seu patrimônio efetivo.
"Esse número, mais ou menos, é parecido ao patrimônio líquido. E o que se assinala aqui é que basicamente se supera esse número em geral. Que é um número superior ao número que está estabelecido no caso deste banco em particular", expressou.
O questionamento reside em que, se à empresa vinculada vai mal e não pode fazer frente às suas operações, os ativos do banco podem perder qualidade, o que colocaria em risco a devolução do dinheiro aos depositantes.
Também se coloca em dúvida a fonte principal dos ingressos do banco em questão, já que grande parte dos resultados não provêm do negócio bancário.
"Ou seja, não vem de tomar dinheiro do público e emprestar a terceiros, mas que vem de uma empresa em que o banco tem participação", finalizou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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