Análise genética confirma origem europeia da varíola na América colonial
Primeira análise genética direta vincula a varíola colonial americana com a Europa
Um equipamento internacional de pesquisadores apresentou a primeira prova genética direta que conecta os surtos de varíola da época colonial europeia na América com as cepas que circulavam no Velho Mundo. O achado foi publicado na quinta-feira na revista Science.
Os pesquisadores, entre eles o biotecnólogo chileno Bruno Romero, afiliado ao Trinity College de Dublin, analisaram ADN viral antigo recuperado de dois indivíduos de uma comunidade local que habitou entre finais do século XV e princípios do século XVII no norte do Chile.
Descobertas sobre a evolução viral
As análises revelam que os vírus encontrados nas múmias pertenceram a uma linhagem agora extinta do vírus da varíola, que se situa evolutivamente entre as cepas europeia medievais e as que circularam em séculos posteriores.
O vírus da varíola experimentou um longo período de mudanças genéticas até o século XVI, mas sua evolução se desacelerou notavelmente durante o apogeu da expansão colonial e as grandes epidemias que provocou essa doença nos séculos XVII e XVIII.
Este fenômeno indicaria que o vírus pôde ter alcançado o que os pesquisadores denominam um "ótimo evolutivo", condição que lhe permitiu propagar-se com sucesso sem necessidade de uma maior adaptação genética.
Impacto de eventos históricos na evolução viral
A estabilidade evolutiva da varíola se manteve até o século XIX, quando se generalizou a vacinação. Não obstante, à medida que aumentaram os níveis de imunidade nas populações, o ritmo da evolução viral voltou a acelerar-se.
"Nossos achados mostram como acontecimentos históricos importantes, como a colonização, as mudanças demográficas ou a vacinação, moldaram a evolução de uma das doenças infecciosas mais devastadoras da humanidade", aponta Bruno Romero.
Segundo Romero, este trabalho constitui um exemplo destacado de como o ADN antigo pode revelar aspectos da história das doenças que não se apreciam unicamente nos registros históricos, abrindo novas oportunidades para estudar epidemias passadas e seu impacto nas populações humanas em nível mundial.
Impacto histórico da varíola na América
A varíola, causada pelo vírus do mesmo nome, foi responsável por uma catastrófica diminuição da população dos povos indígenas americanos após a chegada dos europeus. Atribui-se a morte de centenas de milhões de pessoas e a transformação radical das sociedades pré-colombianas.
Avanços no controle da doença
Em 1796, o cientista Edward Jenner desenvolveu uma vacina contra a doença que reduziu drasticamente a transmissão durante os séculos XIX e XX.
Durante o século XX, a varíola continuava causando entre 300 e 500 milhões de mortes em todo o mundo, segundo as estimativas da época.
Posteriormente, a Organização Mundial da Saúde liderou uma campanha internacional coordenada de erradicação que finalmente logrou eliminar a doença em 1980, convertendo-se no primeiro vírus infeccioso humano suprimido com sucesso em todo o mundo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.