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Economia

Além da austeridade: Eficiência e qualidade do gasto público

15/06/2026 08:00 4 min lectura 2 visualizações

Avançar para a qualidade do gasto requer ir além de decisões de cortes pontuais, já que durante anos essa tem sido a resposta e, no entanto, o problema persiste no ano seguinte. De fato, o mesmo decreto assinala a necessidade de controlar o gasto em serviços não essenciais ou despesas não prioritárias. A pergunta é por que se incluíram essas despesas em 2025 se já se havia prometido austeridade.

No contexto atual, além da austeridade assinalada é necessário intervir com urgência em quatro ámbitos que erosionam a confiança cidadã e a solvência do tesouro: as ineficiências no sistema de contratações públicas, o custo financeiro derivado da dívida com fornecedores, a ineficácia e ineficiência na gestão do emprego público, e o déficit da Caixa Fiscal.

O sistema de compras públicas é o instrumento que vincula os recursos estatais e a provisão de bens e serviços básicos. Historicamente, as contratações no setor público paraguaio estiveram repletas de assimetrias de informação, conluio, sobrecustos, tráfico de influências, provisão de bens e serviços de baixa qualidade, má gestão de contratos e impunidade ante seu descumprimento. Nesses casos, a solução não passa pela austeridade, mas por melhorar substancialmente a gestão das aquisições públicas.

A acumulação de dívida e atrasos nos pagamentos a fornecedores convertem o Estado em um comprador inadimplente ou imprevisível com altos custos financeiros sem retornos econômicos. O Estado compra mais caro porque paga tarde, e paga tarde porque o sobrecusto do que compra esgota seus recursos disponíveis. O custo financeiro produto das dívidas a fornecedores não terá nenhum retorno econômico para a cidadania; porém, não se lhe pode aplicar medidas de "austeridade".

O gasto em serviços pessoais absorve a maior parte das receitas tributárias. A austeridade linear costuma traduzir-se em suspensão de contratação ou na proibição genérica de aumentos salariais, medidas que, embora contenham o crescimento do agregado, deterioram a capacidade operativa das instituições ao não distinguir entre setores sem benefício social e setores com déficit de pessoal que têm grandes dívidas com a cidadania como saúde, educação ou cuidados.

Em lugar de austeridade, o que se necessita é melhorar a qualidade do gasto em recursos humanos implementando um serviço civil baseado em competências, meritocracia e resultados, o que exige incorporar no orçamento o pilar de remunerações baseadas em resultados.

O sistema de aposentadorias e pensões do setor público representa uma das maiores ameaças para a estabilidade macroeconômica devido ao déficit da Caixa Fiscal. Esse tampouco é um problema conjuntural nem que se solucione com medidas de austeridade, é um defeito de desenho fiscalmente insustentável e socialmente regressivo.

O Decreto nº 6120/2026 marca um roteiro para a contenção do gasto no curto prazo, mas deve ser o ponto de partida de uma transformação estrutural. A experiência internacional demonstra que os países que limitam sua estratégia fiscal à austeridade sofrem a deterioração de seus serviços públicos, o que por sua vez obstaculiza as oportunidades para um crescimento estável a longo prazo e gerador de empregos de qualidade. Em definitiva, limita o avanço para o desenvolvimento.

A sustentabilidade financeira do Estado paraguaio deve passar da discussão sobre quanto se gasta a como se gasta. Reduzir os sobrecustos nas compras do Estado mediante a erradicação da morosidade com fornecedores, profissionalizar a função pública sob critérios estritos de idoneidade e reformar a estrutura previdenciária da Caixa Fiscal são as verdadeiras reformas que devolverão a eficiência e qualidade ao orçamento geral.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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