Kattya González ainda não define se recorrerá à OEA ou à CIDH
Em entrevista, Kattya González, a ex-senadora, voltou a ratificar que recorrerá a instâncias internacionais. Não obstante, esta semana deve definir a qual instância, se à OEA ou à CIDH.
"Assim é (sobre se recorrerá a organismos internacionais). Esta semana tenho que me reunir e ver isso. Se vou à ONU (Organização das Nações Unidas) ou à OEA (Organização dos Estados Americanos). Ainda não tenho claro. Mas sim ou sim recorrerei", respondeu, e logo esclareceu que não será à ONU.
Instâncias internacionais. O advogado Carlos Trapani não quis se aventurar a dizer em quanto tempo poderia chegar a se resolver o caso nas instâncias internacionais. Afirmou que é necessário levar em conta o nível de saturação da quantidade de casos que hoje o sistema americano tem para gerir e processar, e por isso lhe parece muito difícil que se resolva a curto ou médio prazo.
"Me resulta muito difícil fazer uma estimativa de tempo. O que diria é que me parece talvez este caso, seus direitos em particular, não há medida que possa chegar a satisfazer plenamente a violação de direitos que se cometeu. Este é um caso que sem nenhuma dúvida vai ter uma acolhida favorável no Sistema Interamericano de Direitos Humanos (SIDH). Não há outro caminho, foi um fato vergonhoso. Ou seja, absolutamente vergonhosa a indefensão com a qual ela foi julgada, para mim não há nenhuma dúvida", comentou.
Para o advogado, do ponto de vista institucional, afirmou que há questões que se pergunta, por exemplo, como vai funcionar a partir de agora, em alusão ao regulamento da Câmara Alta.
"O Senado, o que vai fazer com isso? O Senado fica com a corda no pescoço porque a partir de agora vai ter que aprovar duas vezes as coisas para que valham porque corre o risco de que qualquer uma de suas decisões se forem levadas à Corte reclamando que não deram sua aprovação na ata, não estavam em vigência. Para mim, a Corte acabou de colocar sob suspeita todo o funcionamento do aparato parlamentar, todo o aparato legislativo. É de uma gravidade extrema em termos institucionais. Isso não podemos saber como vai terminar se arranjando", comentou.
Consequências. Dias atrás, logo após a sentença da Corte, a ex-senadora Kattya González afirmou que a sentença da Corte poderia trazer graves consequências para os opositores ao oficialismo.
"Há que ver as consequências desta sentença. Há que ver o que implica para a oposição democrática e para a dissidência do Partido Colorado os alcances, o que está fazendo a Corte. O que estão fazendo é dar um cheque em branco para que qualquer parlamentar que incomode, possa ser simplesmente anulado, expulso, cancelado ou silenciado sem nenhum tipo de explicação", comentou.
Questionou a atuação de ministros que se desempenham em sua maioria na docência.
"É muito grave o que acontece. Eles decidiram priorizar a ditadura política do quincho em lugar do que estabelece nossa Constituição Nacional. Com argumentos sumamente rebuscados, que hoje não têm sustentação, como vão sustentar o olhar diante de seus alunos em uma conferência que possam dar? Como sustentar a legitimidade de uma Corte quando a Constituição Nacional garante um devido processo, que garante que a pessoa seja ouvida, que tenha acesso à acusação", questionou.
Sustentou que a Constituição estabelece que em qualquer processo no qual pudesse derivar uma pena ou sanção, toda pessoa tem direito a ser ouvida, tem direito a preparar sua defesa em um tempo razoável.
"E tem direito a que os atos do poder político sejam justificados de uma maneira irrefutável", sentenciou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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