Alarmes disparam no comércio de Ciudad del Este com ampliação de zonas francas na Argentina
Decreto argentino permite instalação de lojas duty-free em centros urbanos, ameaçando a hegemonia comercial paraguaia na Tríplice Fronteira
A histórica disputa comercial pelos compradores da Tríplice Fronteira soma um novo capítulo.
A Argentina decidiu ampliar as possibilidades de instalação de lojas livres de impostos em suas cidades fronteiriças e a medida já gera repercussões em uma região onde cada país busca atrair consumidores com melhores condições de compra.
A decisão foi oficializada pelo Governo argentino através do Decreto 438/2026, que incorpora plenamente à normativa nacional o regime de free shops previsto em acordos do Mercosul.
A mudança mais significativa reside no fato de que estes estabelecimentos já não estarão limitados a passagens fronteiriças ou áreas aduaneiras, mas poderão operar dentro dos centros urbanos habilitados.
A novidade abre uma expectativa importante na vizinha localidade argentina de Puerto Yguazú, cidade que há anos convive com o atrativo comercial de Ciudad del Este.
A possibilidade de expandir a oferta de produtos livres de impostos aparece como uma ferramenta para fortalecer a economia local e reter parte do dinheiro que hoje cruza diariamente as fronteiras em busca de preços mais competitivos.
Para Ciudad del Este, porém, o anúncio representa um sinal de alerta. A capital do Alto Paraná construiu durante décadas uma sólida reputação como destino de compras regional, sustentada em uma ampla variedade de produtos, infraestrutura comercial e uma constante afluência de visitantes, especialmente provenientes do Brasil e da Argentina.
O novo esquema argentino poderia modificar parte dessa dinâmica. Com mais opções de compras em Puerto Yguazú, alguns turistas e consumidores poderiam optar por permanecer em território argentino em lugar de se deslocar até o Paraguai. Ainda que o impacto real seja incerto, o setor comercial esteño observa atentamente cada passo da implementação.
CONTEXTO. A medida também se produz em um contexto de crescente competição regional. O Brasil já havia avançado nos últimos anos com a habilitação de lojas francas em municípios fronteiriços, gerando um mercado cada vez mais disputado. Agora, com a Argentina fortalecendo o mesmo modelo, a luta por captar compradores torna-se mais intensa em uma das zonas comerciais mais ativas da América do Sul.
O Ministério da Economia argentino e a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro terão a responsabilidade de regulamentar o funcionamento do sistema nas próximas semanas.
A partir desse processo se definirão as condições para a abertura de novos locais e os mecanismos de controle que regerão a atividade.
Enquanto isso, a iniciativa não está isenta de questionamentos dentro do próprio território argentino. Representantes do comércio tradicional de Misiones expressaram preocupação com o eventual crescimento das lojas francas, argumentando que poderiam gerar-se condições desiguais para os negócios que tributam sob o regime comum.
OPORTUNIDADE. Na Tríplice Fronteira, onde as vantagens competitivas mudam constantemente conforme as políticas econômicas de cada país, a decisão argentina volta a mover as peças do tabuleiro.
Para Ciudad del Este, o desafio será sustentar sua capacidade de atração em um cenário onde os vizinhos também buscam ficar com uma porção cada vez maior do movimento comercial fronteiriço.
O empresário Chariff Hammoud, presidente do Centro de Importadores e Comerciantes do Alto Paraná (CICAP), disse que todo desafio é uma oportunidade. Afirmou que Ciudad del Este está em alta e deve concentrar-se em melhorar sua infraestrutura, aprimorar a estadia dos compradores e aproveitar melhor a experiência que o empresariado local possui ao oferecer aos consumidores os últimos lançamentos no nível mundial.
"Temos que melhorar nossas ruas, novas calçadas e sobretudo facilitar o acesso à nossa cidade. E para isso é fundamental que...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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