Advogado questiona escalada política das declarações de Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé
Felino Amarilla critica intervenção do Governo Nacional no caso e defende que se trata de injúria de âmbito privado
Foto: Senado (Durante declarações anteriores)
O advogado Felino Amarilla, em comunicação com a Rádio Monumental 1080 AM, questionou nesta quarta-feira a intervenção do Governo Nacional na polêmica que se gerou após as declarações da legisladora opositora contra o craque da Seleção Francesa Kylian Mbappé.
As declarações de Celeste Amarilla, irmã do profissional do Direito, foram realizadas depois que a França derrotasse o Paraguai no sábado passado em oitavas de final do Mundial-2026 após um gol de pênalti da estrela do desporto.
O jogador francês repercutiu as declarações da senadora. Inclusive, foram condenadas pelos Governos da França e Paraguai, pela FFF, FIFA e até pela ONU, e a Promotoria francesa iniciou uma investigação.
"Me chama poderosamente a atenção e acredito que estamos diante de uma situação de um jogo político desportivo econômico, por assim dizer, de alto alcance. Essa é a opinião que tenho", continuou indicando o profissional do Direito.
Amarilla se mostrou surpreso de que este tema tenha recebido uma transcendência de uma questão de Estado.
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"Que uma promotora intervenha na França para investigar um fato ocorrido em outro país, está manifestando uma nova situação. Os delitos têm uma situação de territorialidade. As declarações foram realizadas no Paraguai, as redes sociais amplificaram e lhe deram alcance e os governos se encarregaram de darle um alcance universal", desenvolveu.
Continuou indicando que o ocorrido pode ser tomado como uma injúria entre ambas as partes.
"Aqui pode ser tomada como uma injúria e Kylian Mbappé, se lhe afeta, tem que vir litigar no Paraguai", afirmou e explicou que as declarações foram realizadas em território paraguaio e o jogador francês deve litigar no país e não por Zoom.
"Isso não está no Código Penal paraguaio. Os delitos que não têm territorialidade são os delitos de lesa humanidade e a injúria é um delito de ação privada e o senhor Mbappé tem que litigar no Paraguai", reforçou.
Igualmente, insistiu que o preocupante neste caso é a atitude do Governo Nacional.
"Aqui o preocupante é a atitude do Governo. O Governo paraguaio, em um ato patrioteiro, declarou a participação do time do Paraguai no Mundial como uma gesta histórica. Nesse âmbito patrioteiro, onde a Seleção se converteu em uma causa nacional e, sobretudo em uma causa política de Santiago Peña", questionou.
Nesse sentido, lamentou "a incoerência governamental que nessa métrica patriotera contorna o fato do ocorrido dentro do campo com seus 11 leões e em cambio, apressado corre a apresentar uns pedidos de desculpas ou uma desaprovação de uma cidadã paraguaia de uma maneira complacente, mas não teve um gesto em defesa de seus leões que foram massacrados".
Finalizou enfatizando que tudo isso escalou a nível político e a um nível de discurso de Estado, situação que qualificou de preocupante.
"Esse é o ponto que me chama a atenção e me preocupa. Reivindiço a liberdade de expressão e reivindiço os meios legais quando essa liberdade de expressão se conduz por caminhos de excessos, mas existem os mecanismos para corrigir isso", finalizou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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