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Internacional

"O mais difícil foi sair", o relato de um venezuelano que ficou oito dias sob os escombros

08/07/2026 14:01 4 min lectura 2 visualizações
"Lo más difícil fue salir", el relato de un venezolano que estuvo ocho días bajo los escombros

O primeiro tremor foi curto, narrou Gil em entrevista com a AFP desde o quarto de hospital onde se recuperava após ser resgatado das entranhas de um edifício destruído, onde permaneceu oito dias sepultado após os dois terremotos que devastaram o norte do país com mais de 3.342 mortos.

"Já o segundo foi fortíssimo", acrescentou o homem de 43 anos que se lembra de ter ficado imóvel dentro de sua guarita pelos nervos.

Escutou um vizinho dizer do estacionamento que era um terremoto e em seguida "tudo desabou".

Gil sentiu como tudo se desmoronava. As pedras o golpearam atrás da cabeça e no olho.

"Fiquei como inconsciente no momento. Quando acordei, tudo estava escuro (...) Dali em diante tudo era incerteza", relatou.

Não via nada, nem escutava ninguém. Tentou chamar pelo vizinho que tinha visto pela última vez antes de ser tragado pela terra, "mas nada".

"E nesse momento me atacou muito o desespero", disse o homem que começou a gritar pedindo ajuda, sem escutar resposta.

Na escuridão, parcialmente ajoelhado, com pouco ar e praticamente imóvel, sofreu uma réplica atrás da outra.

"Sentia que a parede me estava completamente esmagando".

Apesar do vivido, Gil conversa com bom humor 72 horas depois de ser libertado do buraco em que esteve enterrado sob um edifício de oito andares que desabou.

Sentado em uma poltrona, vestido com roupa de hospital, com o braço esquerdo imobilizado em uma tipoia, o vigilante do Sol Marina Garden sublinhou que sua fé o sustentou durante essas horas difíceis. Lhe trouxe calma.

"Rezei muito. Clamei a Deus, e lhe disse meu Deus por que a mim? Por que assim? por favor me permite pelo menos ver meus filhos".

Em sua incômoda situação, Gil tentava se reclinar contra um lado e outro de seu buraco, mas não conseguia dormir.

As pedras em que caiu lhe machucavam as pernas, sangrava pelo nariz. Tinha o olho direito inchado e avermelhado, embora isso último ele desconhecesse.

Nessas solitárias horas pensou em sua esposa Gusbimar González, que lá fora procurava um sinal de vida.

Também pensou em seus filhos e em seu pai já falecido. "Me vieram muitas recordações", disse.

Gil perdeu a noção do tempo, mas foi no terceiro dia que escutou passos "muito longe".

Começou a gritar e a pedir ajuda, e finalmente escutou uma resposta.

Gil se lembra sorrindo que nesse instante pensou "Ai meu Deus aqui já há um passo. Aqui há uma esperança de vida".

Ali começou o dramático resgate que Gil viveu como "uma luta forte".

Enquanto resgatistas de sete países lutavam para chegar até ele, mantê-lo hidratado e em bom ânimo, Gil sentia que as paredes continuavam se movendo, apertando-o cada vez mais.

Mas quando dois resgatistas do Chile e dos Estados Unidos finalmente o alcançaram depois de mais de três dias de operações complexas, Gil não conseguiu se alegrar.

"O mais difícil foi sair", recordou o homem que tinha as pernas presas em uma cadeira.

Gil não duvida que foi um milagre que lhe mudou a vida.

"Renasci!", suspira. "Foi um milagre".

Já no hospital, Gil conversou com seus filhos por videochamada e não vê a hora de voltar para casa, embora os médicos não lhe tenham dado uma data de alta.

Dorme, mas às vezes os momentos desesperantes que viveu sob terra o despertam.

Acompanhado dia e noite por sua esposa, o homem não tem muito claro o que vem a seguir nesta sua nova vida.

Por enquanto o único que sabe é que quer celebrar o aniversário de seu filho no dia 15 de julho, tirar férias pendi...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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