O relato de um venezuelano que sobreviveu oito dias sob os escombros
Gil relatou os momentos vividos durante os terremotos que arrasaram o norte da Venezuela, em uma entrevista realizada de seu quarto de recuperação no hospital após ser resgatado de entre os escombros de um edifício desabado, onde esteve sepultado durante oito dias. Os sismos deixaram um saldo superior a 3.342 falecidos.
O homem de 43 anos lembra que o primeiro tremor foi breve. "Já o segundo foi fortíssimo", expressou, narrando que ficou imóvel dentro de sua guarita pelos nervos. Escutou um vizinho advertindo do estacionamento sobre o que ocorria e "tudo desabou" imediatamente.
Gil sentiu o colapso da estrutura. As pedras o golpearam na parte posterior da cabeça e no olho. "Fiquei como desacordado no momento. Quando acordei, tudo estava escuro (...) Dali em diante tudo era incerteza", relatou.
Na escuridão total, sem conseguir escutar ninguém próximo, tentou se comunicar sem obter resposta alguma. "E naquele momento me atacou muito o desespero", recordou, começando a gritar pedindo socorro sem receber resposta.
Parcialmente ajoelhado na escuridão, com pouco ar e praticamente imóvel, experimentou uma réplica após a outra. "Sentia que a parede estava me atropelando completamente", descreveu.
A fé como sustentação
Setenta e duas horas depois de ser libertado, Gil conversava com bom humor. Sentado em uma poltrona, vestindo roupa de hospital e com o braço esquerdo imobilizado em uma tipoia, o vigia do Sol Marina Garden sublinhou que sua fé o sustentou durante aquelas horas difíceis, brindando-lhe calma nos momentos mais críticos.
"Rezei muito. Clamei a Deus, e lhe disse Deus meu por que a mim? Por que assim? por favor permita-me pelo menos ver meus filhos", expressou.
Em sua incômoda situação, Gil tentava se recostas contra diferentes lados de seu buraco, mas não conseguia dormir. As pedras machucavam suas pernas e sangrava pelo nariz. Tinha o olho direito inchado e avermelhado.
Pensou constantemente em sua esposa Gusbimar González, que lá fora buscava um sinal de vida, em seus filhos e em seu pai já falecido. "Vieram-me muitas lembranças", comentou.
O primeiro sinal de esperança
Gil perdeu a noção do tempo, mas foi no terceiro dia quando escutou passos "muito longe". Começou a gritar e a pedir socorro, escutando finalmente uma resposta.
Naquele instante, pensou "Ah Deus meu aqui já há um passo. Aqui há uma esperança de vida". Assim começou o dramático resgate que Gil viveu como "uma luta forte".
Enquanto equipes de resgate de sete países trabalhavam para chegar até ele, mantê-lo hidratado e com bom ânimo, Gil sentia que as paredes continuavam se movendo, aprisionando-o cada vez mais.
Quando dois resgatistas do Chile e Estados Unidos finalmente o alcançaram depois de mais de três dias de complexas operações, Gil enfrentou seu maior desafio. "O mais difícil foi sair", recordou o homem que tinha as pernas enredadas em uma cadeira.
Um milagre que mudou sua vida
Gil não duvida que foi um milagre o que lhe permitiu sobreviver. "Nasci de novo!", suspira. "Foi um milagre".
Já no hospital, conversou com seus filhos por videochamada. Embora acompanhado dia e noite por sua esposa, ainda dorme de forma intermitente, pois às vezes os momentos desesperantes vividos sob terra o despertam.
Por enquanto, o único que tem claro é que deseja celebrar o aniversário de seu filho em 15 de julho e retomar sua vida em família, aguardando as indicações médicas para sua recuperação completa.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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