Advertem falhas nos planos energéticos e cobram abertura do mercado
Conselho Empresarial alerta para déficit de energia em cinco anos se não houver reformas estruturais
O Conselho Empresarial de América Latina (CEAL) alerta que, caso não se corrijam o marco legislativo para garantir um ente regulador verdadeiramente independente e romper o monopólio da ANDE, Paraguay enfrentará um déficit de energia em apenas cinco anos e afastará investimentos-chave.
Embora Paraguay "tenha entrado na moda" para investimentos estrangeiros sob a premissa de baixos impostos e abundância energética, a realidade a médio prazo gera profunda preocupação no setor privado. Rubén Jacks, presidente do Conselho Empresarial de América Latina (CEAL, Capítulo Paraguay), advertiu em conversa com ÚH que existem muitas intenções de investimento acumuladas, mas o país corre o risco de ficar sem energia em um lustro se não captar capital privado para o setor de geração.
Para que esses investimentos se concretizem, Jacks enfatizou a urgência de atualizar a arquitetura institucional do país. "Precisamos de uma reforma e apoiamos a intenção do Governo de abrir o mercado e criar um ente regulador, mas este deve ser autônomo e não deve haver espaço para um possível manuseio político", apontou o empresário.
"Temos que entender que se não forem feitas as mudanças corretas não virão os geradores de energia. Acredito que se deveria emular o que foi feito com as telecomunicações. Não queremos que a ANDE seja privatizada, mas sim que o mercado se abra e a ANDE se torne competitiva", enfatizou.
Falhas estruturais. Apesar de coincidirem na necessidade de reformas, os atuais projetos do Governo Nacional – que propõem a criação de um Ministério de Energia, Mineração e Hidrocarbonetos e um Ente Regulador – enfrentam duros questionamentos por seu desenho.
Diego Zavala, assessor do CEAL, falou sobre erros estruturais nas propostas debatidas na mesa energética, assegurando que o modelo apresentado terminará afastando o capital privado. A principal crítica reside na nula autonomia da futura instituição reguladora.
"É uma entidade abaixo do Poder Executivo, dependente do Poder Executivo, e por definição não é independente", sentenciou Zavala. Essa falta de autonomia técnica se agrava por um problema de hierarquia institucional: a lei coloca o órgão regulador no mesmo escalão que a ANDE, instituição à qual deverá fiscalizar. "Por que a ANDE teria que obedecer se estão no mesmo nível?", questionou o especialista.
Além disso, advertiu sobre a preocupante ausência de faculdades arbitrais. O marco jurídico proposto omite conferir à nova instituição "a função de árbitro", uma ferramenta fundamental para dirimir eventuais conflitos de tarifas entre o Estado e os geradores privados, deixando os investidores sem garantias nem segurança jurídica.
O obstáculo do "monopsônio". O cerne do problema, segundo a análise do CEAL, reside no fato de que o projeto mantém intacto um modelo de monopsônio (um único comprador) que sufoca a competição. Ao ser a ANDE a única autorizada para comprar energia no mercado, os projetos de geração alternativa resultam financeiramente inviáveis.
Zavala explicou a ÚH que, ao ter a ANDE como único comprador, os privados se veem obrigados a competir contra os preços de represas hidroelétricas já amortizadas, o que torna impossível a recuperação de novos investimentos.
Para destravar o potencial energético do país, o representante empresarial sustenta que "tem que se permitir que o mercado se abra para a livre transmissão de energia". Esse modelo permitiria que um gerador privado pudesse vender sua capacidade diretamente a grandes indústrias, pagando simplesmente um pedágio à rede estatal pelo uso das linhas de transmissão.
O diagnóstico final do especialista é que, caso se mantenha a estrutura de controle absoluto, Paraguay se encaminha inevitavelmente para um déficit a curto prazo. "O sistema que hoje temos tem que ser comparado com outros modelos de mercado aberto para que se entenda a importância de fazer as mudanças necessárias", concluiu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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