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Educação

Academia da Língua Guarani rejeita que o idioma seja fator no desempenho educativo

14/09/2026 08:45 3 min lectura 333 visualizações

Postura oficial da Academia

Após o informe da avaliação internacional PISA 2025, que revelou resultados desafiantes na educação paraguaia, e as declarações do ministro de Educação, Luis Ramírez, que mencionou o guarani como fator incidente, a Academia da Língua Guarani (ALG) emitiu um comunicado oficial.

Como instituição responsável de velar pelo estudo, a promoção e o prestígio do guarani como idioma oficial da República do Paraguai, a ALG expressou sua preocupação ante as declarações do titular do Ministério de Educação e Ciências (MEC).

O guarani não é causa do baixo rendimento

"O guarani nem nenhuma outra língua pode ser a causa do baixo rendimento acadêmico. Nenhum estudo sério em sociolinguística educativa sustenta que o bilinguismo ou multilinguismo represente um obstáculo para o aprendizado", aponta a instituição em seu comunicado.

A Academia enfatiza que as evidências internacionais demonstram exatamente o contrário. Países com múltiplas línguas oficiais alcançaram resultados sobressalentes em avaliações internacionais. Entre os exemplos citados encontram-se Finlândia, com duas línguas (finlandês e sueco); Suíça, com quatro línguas (alemão, francês, italiano e romanche); e Singapura, com quatro línguas (inglês, malaio, mandarim e tâmil).

Causas do desempenho acadêmico nacional

A Academia sustenta que o baixo rendimento do país nesta prova obedece a múltiplas causas, e assinala que seria inadequado atribuí-lo a um único fator. "A escassíssima inversão em educação no país é a principal."

Segundo a instituição, o Paraguai destina um percentual muito aquém do 6 ou 7% do PIB recomendado pela Unesco, com uma inversão por estudante muito inferior à de países da região.

Esta desinversão se traduz no estado de boa parte da infraestrutura escolar, com maior gravidade no âmbito rural, onde se concentra a maior parte da população falante de guarani.

Educação bilíngue efetiva como solução

A Academia sustenta que o problema não reside na existência do guarani nem na diversidade linguística, mas na ausência de uma educação bilíngue efetiva.

A instituição sublinha que se os estudantes falantes de guarani obtiveram resultados mais baixos em uma prova administrada em castelhano, isso revela uma falha do sistema educativo paraguaio, não uma falha da língua. Destaca que a 34 anos da oficialização do guarani e a 16 anos da promulgação da Lei nº 4251/10 de Línguas, o país continua sem implementar uma educação bilíngue de manutenção que outorgue ao idioma majoritário e próprio do Paraguai o lugar curricular, pedagógico e orçamentário que lhe corresponde.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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