A três anos de governo, persistem os históricos desafios fiscais
Este sábado 15 de agosto, o presidente da República, Santiago Peña, completa seu terceiro ano de mandato, em meio a desafios históricos ainda por resolver.
Embora o cenário macro ainda se mostre auspicioso, com uma inflação controlada, a obtenção de dois graus de investimento e um crescimento sustentado do produto interno bruto (PIB), o Paraguai enfrenta um cenário fiscal complicado, com críticas principalmente quanto ao déficit qualificado de "maquiado" e ao desperdício público.
De 2023 a 2025, o Governo conseguiu avançar em seu plano de convergência fiscal, passando de um déficit de 4,1% do PIB naquele primeiro ano, para 2,5% em 2024, e 2,0% em 2025.
Não obstante, desatou-se uma forte pressão fiscal como consequência das milionárias dívidas atrasadas a fornecedores do Estado. Isso inclusive propiciou a saída do ministro Carlos Fernández Valdovinos do Ministério da Economia e Finanças (MEF) e, apenas dias passados, o Governo finalmente reconheceu o descumprimento da meta fiscal.
Embora o objetivo de Peña e seu gabinete fosse retornar a um déficit de 1,5% este ano, o atual titular do MEF, Oscar Lovera, apresentou um novo plano de consolidação fiscal que aponta a retornar àquele percentual somente em 2028, ao encerramento desta administração.
Para 2026, a projeção do MEF prevê fechar com um rombo fiscal de 3,2%, enquanto que em 2027 estima alcançar inclusive 3,9%.
Segundo explicou Lovera, a flexibilização responde às obrigações que ainda ficarão pendentes após os pagamentos deste ano, razão pela qual recorrerão a uma nova dívida externa de cerca de USD 600 milhões.
Embora especialistas tenham se mostrado a favor de que as dívidas com fornecedores sejam reconhecidas e transparentadas, alertaram sobre a necessidade de controlar o gasto e o endividamento público.
Sobre este último ponto, desde a assunção de Peña observa-se como a dívida pública vem incrementando, especialmente mediante colocações de bônus tanto no mercado local quanto externo.
De ter arrancado com USD 16.565,9 milhões de compromissos em 2023, o saldo subiu para USD 21.946,6 milhões este ano, o que representa uma expansão de 32,4% em apenas três anos.
Destaca-se que o nível do endividamento se mantém abaixo de 40% do PIB e de países da região, levando em conta o crescimento da economia, que se situa em USD 63.814 milhões em junho último, frente aos USD 43.194 milhões do início deste Governo.
Não obstante, embora economistas concordem que o problema não seja esse nível em si, alertam que o problema reside no aumento dos juros, deixando menos espaço para realizar investimentos em saúde, educação ou infraestrutura.
Em matéria de arrecadação, como um dos principais acertos deste governo destaca-se a criação da Direção Nacional de Ingressos Tributários (DNIT), com a fusão da Direção de Aduanas e da Subsecretaria de Estado de Tributação (SET), fato que impulsionou aumentos na arrecadação pelo menos até a metade de 2025.
Porém, ante a queda do dólar, os ingressos tributários começaram a perder força e a expansão começou a desacelerar a partir do segundo semestre do ano passado, pressionando ainda mais a situação fiscal.
Tendo em conta que Peña se mantém na posição de que não se aumentarão nem criarão impostos, a DNIT estabeleceu novas estratégias para aumentar a arrecadação.
Entre elas, intensificou os controles tributários e trabalha em uma maior formalização, enquanto avalia eliminar isenções e regulamentar o uso das reservas facultativas empresariais.
Então, nestes três anos de Peña, corrigiu-se o problema fiscal ou somente se administrou o déficit até que a pressão do gasto voltasse a disparar as contas públicas?
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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