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Paraguai

A profecia de lord Acton

23/08/2026 05:00 4 min lectura 2 visualizações

A indústria do entretenimento que nos mostrou incansável esse lado obscuro das violências e das e dos violentos que assumíamos como personagens da ficção, toda a ficção e nada mais que a ficção, parecia que deixaram de habitar nas telas (e nos joguinhos em rede) para caminhar por onde lhes der na gana.

  • Por Ricardo Rivas
  • Jornalista X: @RtrivasRivas
  • Fotos Gentileza

Os homens e mulheres do poder costumam repetir-se em muitas de suas condutas. É curioso. Atrevo-me a sentenciar (respeitosamente) que pouco importam as épocas, nem as ideologias porque creio estar seguro de que o poder – como prática sociocultural e política – opera (pelos resultados que a história e a cotidianidade colocam diante de nossos olhos) como um obscuro objeto do desejo ao qual, para algumas e alguns, é necessário alcançar e apoderar-se para fazer o que querem, sonham e desejam… e… não poucas vezes, também – depois de alcançar ou não aqueles objetivos que sempre aparecem afinal como transitórios – para poder desfazer o que querem ou quiseram, o que sonham ou sonharam ou o que desejam ou desejaram.

Talvez, pela forma massivamente incompreensível que resultam esses fazeres e desfazeres, imagino que o poder é para uns poucos e poucas que, em seu conjunto, tornam-se em pretensas elites e assim se assumem. Estadistas do efêmero. Tanto os reportes que emergem dos sistemas de mídia aos quais se tem dado ultimamente em categorizar como "tradicionais" como aqueles que circulam nos sistemas de mídia que colonizam os ecossistemas digitais dão sinais contundentes de que o bem comum inexiste ou, quando menos, descarta-se como ideia, primeiro e/ou como práxis, depois entre essas e esses elitistas que parecem perceber-se únicos, onipotentes e fundacionais.

Vociferam a paz, mas sinto que a desconhecem. Como ideia força e como cultura. Pois bem! A tertúlia uma vez mais constituiu-se no anoitecer desta sexta-feira inclemente. O vento sopra intensamente. Um alerta adverte que as rajadas – nas próximas horas – poderiam superar os 80 quilômetros. A temperatura volta a cair depois de poucas horas de sol. Os termômetros marcam apenas 4 graus. A velha cadeira de balanço, os lenhos crepitantes e, novamente, alguns amigos e duas amigas carregamos os copos com um velho Chateau Lafite Rothschild 1990.

Sorrio no instante mesmo da abertura. Esta e duas garrafas mais as custodiei com profundo afeto até esta noite em que as compartilhamos entre afetos, debates, pareceres, discussões, boas recordações, alguns brindes e a esperança comum de querer viver em um mundo melhor. Os vinhos de Bordeaux deixou-me em guarda um muito querido amigo-irmão (NV) que já partiu e fosse correspondente de imprensa internacional durante décadas. Um silêncio quase litúrgico produziu-se nesse breve tempo – irrepetível – que se gera quando se remove a velha rolha para liberar os espíritos que habitam no excelso casamento que emerge da convivência entre as nobres cepas do cabernet sauvignon e o merlot, discreta e minimamente infiltradas com cabernet franc e petit verdot.

"O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente", escreveu lord Acton (1834-1902) ao arcebispo Mandell Creighton (1843-1901). Estudiosos da ética histórica ambos, Acton em uma carta que lhe enviou de Cannes em 5 de abril de 1887 sentenciou: "Os grandes homens são quase sempre homens maus"

BRINDE

"Por um mundo melhor", propõe Delia enquanto levanta sua taça. "Como dizia meu amigo Ryszard Kapuscinski (jornalista e escritor 1932-2007)… Na zdorovie", replicou Alejandro S., viajante incontível. "Saúde… Cheers… Santé… Prost… Salute… Saúde…", respondemos. As conversas – cruzadas e desordenadas – são variadas. Alguém comenta que...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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