A paternidade transforma a mente e o corpo masculino
Mudanças biológicas na paternidade
Durante os preparativos para a chegada de um filho, a maioria dos futuros pais recebe informações detalhadas sobre as transformações que o corpo da mãe experimentará: mudanças hormonais, deslocamento de órgãos e transformações cerebrais. No entanto, pouco se menciona que o corpo e o cérebro do homem também se preparam para a paternidade.
A primatóloga Sarah Blaffer Hrdy postulou em sua obra que os homens possuem a fiação biológica necessária para ser "tão protetores e dedicados à criação quanto a mãe mais comprometida". Esta perspectiva abre um campo acadêmico completo que sugere que o comportamento paternal está enraizado na biologia, embora permaneça latente até que certos fatores o ativem.
Investigações com especialistas no tema chegaram a uma conclusão significativa: a paternidade muda os homens de maneiras que se assemelham a como a maternidade transforma as mulheres. Quanto maior for o envolvimento do pai no cuidado do bebê, mais profunda será essa transformação nos sistemas endócrino e neuronal.
Descobertas em estudos com animais
As primeiras pesquisas sobre a transformação dos pais provêm de observações em outros animais. Estudos realizados no final do século XX demostraram que muitos mamíferos machos, incluindo outros primatas, manifestam mudanças hormonais evidentes quando se envolvem ativamente na criação. Essas mudanças incluem flutuações em hormônios como testosterona, vasopressina e prolactina, tipicamente associados à maternidade.
Pesquisa em pais humanos
O antropólogo norte-americano Lee Gettler, atualmente diretor do Laboratório de Hormônios, Saúde e Comportamento Humano da Universidade de Notre Dame em Indiana, começou a investigar esses processos em pais humanos no início dos anos 2000. O primeiro estudo que demonstrou mudanças hormonais em homens foi publicado em 2000 pelas acadêmicas canadenses Katherine Wynne-Edwards e Anne Storey.
Quando Gettler aprofundou-se neste campo, já estava estabelecido que os pais tinham níveis mais baixos de testosterona do que os homens sem filhos. No entanto, permanecia uma pergunta fundamental:
Os homens com baixa testosterona são mais propensos a serem pais, ou a transição para a paternidade conduz a essa cascata de mudanças biológicas nos homens?
Estudos abrangentes para compreender a paternidade
Para responder essa e outras perguntas, Gettler colaborou com cientistas que realizavam um projeto de longo alcance na cidade de Cebú, Filipinas. Em 2005, essa equipe coletou amostras de saliva de 624 homens para analisar as mudanças hormonais associadas à paternidade.
Esses achados científicos demonstram que um pai dedicado à criação não é uma aberração moderna, mas uma característica biologicamente profunda na natureza humana. A pesquisa continua abrindo novas perspectivas sobre como a paternidade ativa modifica integralmente os homens, confirmando que as mudanças biológicas são tão reais e significativas quanto aquelas experimentadas pelas mães.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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