A outra vida do militar dos EUA acusado de apostar na queda de Nicolás Maduro
O militar das forças especiais Gannon Ken Van Dyke esteve muito ocupado nos últimos anos, tanto dentro quanto fora dos quartéis.
Ascendeu ao posto de sargento-mor em Fort Bragg (Carolina do Norte), onde assinou acordos de confidencialidade para participar de operações classificadas, entre as quais - segundo alegam os promotores - se encontra aquela que terminou na detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro no início de janeiro.
O militar criou uma empresa imobiliária e comprou pelo menos seis casas, supervisionando inquilinos de longa duração e atendendo com presteza aos hóspedes de sua cabana no Airbnb: um refúgio de montanha que chamou de "Caverna do Papai Urso", com acabamentos elegantes e excelentes avaliações.
Além disso, segundo os documentos da acusação federal, Van Dyke também utilizou seu conhecimento de operações ultrassecretas para apostar no Polymarket, onde supostamente obteve mais de US$ 400.000 após apostar na queda de Maduro, pouco antes de esta ocorrer.
O ex-governante venezuelano foi detido durante uma operação militar encoberta que, segundo os promotores, Van Dyke ajudou a planejar e executar dentro do exército norte-americano.
Entre 27 de dezembro e 2 de janeiro, o oficial realizou apostas no valor aproximado de US$ 33.934 relacionadas com Maduro e Venezuela, segundo a acusação formal revelada na semana passada.
As apostas previam, entre outras coisas, quando as forças norte-americanas interviriam na Venezuela e quando Maduro seria derrubado, segundo consta no documento.
Van Dyke enfrenta acusações por uso ilícito de informação governamental confidencial para benefício pessoal, roubo de informação governamental não pública, fraude de commodities, fraude eletrônica e realização de transação monetária ilícita.
Nesta terça-feira, o militar compareceu perante um tribunal federal de Nova York, onde após ser informado das acusações contra ele se declarou inocente.
O tribunal o deixou em liberdade, mas limitou sua liberdade de movimento a zonas de três estados do país (Carolina do Norte, Califórnia e Nova York), retirou-lhe o passaporte e exigiu o pagamento de fiança de US$ 250.000.
Em uma ação separada apresentada pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), uma agência federal independente dos Estados Unidos, também é acusado de uso de informação privilegiada.
Van Dyke tem sido militar na ativa nos EUA desde 2008 e sargento-mor das Forças Especiais do exército desde 2023, segundo a acusação formal. Durante sua permanência em Fort Bragg, recebeu treinamento para operações especiais.
Como parte de seu cargo, Van Dyke assinou um acordo de confidencialidade em setembro de 2018, reconhecendo que o governo norte-americano depositava nele uma "confiança especial". Prometeu "nunca revelar informação" considerada "sensível" nem sequer admitir que tinha conhecimento de tal informação.
A documentação apresentada perante o tribunal federal não detalha as tarefas diárias de Van Dyke nem seu papel exato na operação contra Maduro, que incluiu ataques aéreos, uma rede de espiões no terreno e uma presença militar massiva que havia se consolidado durante meses na região.
Fora dos quartéis, Van Dyke também era um ambicioso empresário, como revelam suas redes sociais e as de sua esposa.
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Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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