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Internacional

A jovem de 18 anos que fugiu centenas de quilômetros de casa em um táxi para escapar do casamento forçado

02/06/2026 10:45 4 min lectura 21 visualizações
La joven de 18 años que huyó a cientos de kilómetros de su hogar en un taxi para escapar del matrimonio forzado

Alia — cujo nome foi alterado por sua segurança — viajou centenas de quilômetros desde sua aldeia até Cabul para escapar do casamento.

Fez a viagem de táxi até a capital do Afeganistão no ano passado junto com sua prima, ambas cobertas da cabeça aos pés, com apenas os olhos visíveis, conforme ditam as normas. Foi algo excepcional e arriscado em seu país, já que a qualquer momento poderiam ser detidas pelos inspetores talibãs que fazem cumprir as regras que proíbem as mulheres de viajar longas distâncias sem a companhia de um familiar varão.

Mas Alia, que tem 19 anos, e sua prima não foram detidas em nenhum dos postos de controle talibãs e conseguiram chegar à capital.

"Inventei uma desculpa para minha família, disse que vinha para ver minhas amigas e antigas colegas de classe. Mas não é verdade. Elas não estão aqui. O motivo real é que, se ficasse em Daykundi, me obrigariam a casar".

Em vez disso, chegou a Cabul com um plano: se matriculou em um curso de inglês.

Estes cursos privados, de curta duração e que apenas uma minoria no Afeganistão pode pagar, constituem, junto com as madraças focadas na educação religiosa, as únicas opções para que as meninas continuem aprendendo além do ensino fundamental no Afeganistão. Mas nenhuma destas opções equivale à educação formal.

Já se passaram quase cinco anos desde que os talibãs proibiram meninas maiores de 12 anos de frequentar a escola, dando uma razão após outra para justificar a continuidade da proibição.

Cinco anos em que meninas como Alia cresceram sem a educação que queriam e precisavam, cinco anos em que o caminho para uma carreira profissional praticamente desapareceu, o que reduziu suas opções, deixando milhões de meninas no Afeganistão com uma única: o casamento.

A história de Alia é incomum, não apenas por sua coragem. Também provém de uma família que conta com recursos para aproveitar as poucas oportunidades disponíveis para as jovens, algo pouco habitual em um país onde, segundo as Nações Unidas, três em cada quatro pessoas não conseguem cobrir suas necessidades básicas.

Não é que a família de Alia não queira que ela estude: aceitaram que quisesse ficar em Cabul e continuam pagando seu curso de inglês. Mas até eles se veem limitados pela realidade da vida no Afeganistão.

"Antes da proibição, meus pais me encorajavam com entusiasmo a ir à escola. Diziam que eu poderia realizar meu sonho de me tornar pilota.

"Mas agora dizem que a melhor opção para mim é casar, porque não posso ir à escola nem à universidade, e nem sequer posso trabalhar."

Alia recebeu propostas de casamento. Tem medo de ter que aceitar alguma e teme que a família em que se case não lhe dê a mesma liberdade que seus pais. "Algumas famílias podem ser muito restritivas. É possível que me digam para esquecer meus sonhos. Não me sinto nada otimista a respeito."

Mas sua determinação é firme. "Se minha família não me obrigar a casar, vou esperar. Vou resistir até meu último suspiro."

Em uma moradia pequena e austera no oeste de Cabul, conhecemos Shama.

"Se os talibãs não tivessem tomado o poder, já teria quase terminado a escola. Estaria perto de realizar meu sonho de ser médica. Era isso que eu queria", diz Shama.

Em vez disso, há quatro anos, quando tinha 18, sua mãe a pressionou para que se casasse. Agora é mãe de uma bebê e de uma menina pequena.

Também alteramos seu nome e o de sua família por sua segurança.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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