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Paraguai

A geopolítica dos commodities

A corrida global por minerais críticos, energia e alimentos redefine a hegemonia mundial e coloca o Paraguai diante de um desafio estratégico

18/05/2026 14:00 4 min lectura 21 visualizações

A guerra no Irã e o problema logístico no Estreito de Ormuz mostraram ao mundo a vulnerabilidade na dependência petrolífera de uma passagem geográfica que elevou os preços dos hidrocarbonetos em questão de semanas. A crise da agricultura e dos fertilizantes acordou com a guerra da Ucrânia. E as terras raras, que não são nem terras nem raras (depois explico) –onde a China é número um e o Brasil é dois– estão movimentando a balança em termos de hegemonia em direção à China sobre os EUA. Estamos em um ponto de inflexão, conforme destaca em sua capa desta semana a revista Time intitulada "The Reunion", sobre a cúpula na China entre Xi Jinping e Trump. Como resultado, Trump cedeu cancelando a venda de armas a Taiwan por um valor de USD 13 bilhões. Os conflitos e guerras entre nações são causas e efeitos, simultaneamente, de uma acelerada corrida em busca de minerais críticos, alimento e energia. Já foram no passado, agora estão de volta. Em poucas palavras, dependente das terras raras chinesas, poder-se-ia dizer, talvez ainda de forma provisória, que Trump entregou Taiwan para agradar a Xi Jinping. O presidente oriental advertiu a Trump sobre a necessidade de deixar de apoiar a ilha porque isso poderia desencadear uma guerra, apelando para isso a um clássico da cultura ocidental, "A Armadilha de Tucídides" –citada por Graham Allison para explicar a inevitabilidade da guerra quando emerge uma potência que disputa outra anterior– em uma demonstração de sua riqueza intelectual e como parte de seu pensamento estratégico. O presidente estadunidense, que se gastou em elogios à China, quando lhe tocou a oportunidade, não reagiu com bravatas, mas se manteve calado e submisso. Talvez não aconteça uma Guerra do Peloponeso moderna, porque parece que Trump está disposto a ceder no tema Taiwan para evitar que a China continue bloqueando minerais críticos que são a base da economia digital estadunidense. Em resposta, na reunião se lhe prometeu ao chinês que os EUA lhe venderão volumes maiores de grãos, para o que o Comitê Central do Partido Comunista considera como seu maior interesse geoestraté­gico, a segurança alimentar. Diante deste cenário, o Brasil está preocupado, porque isso substitui parte de suas exportações de soja. E isto importa também à zona brasiguaia, a da reforma agrária brasileira de baixo custo, realizada em um Paraguai com fraca institucionalidade.

Este cenário internacional exige da inteligência paraguaia para 2028 ter um projeto. E o Paraguai não tem nenhum projeto, talvez o Estado nem tenha inteligência. Este Governo e qualquer Governo que venha deve pensar de forma estratégica sobre qual será o papel do Paraguai em um mundo onde os commodities voltarão a estar em moda. O Brasil tem reservas de petróleo, outros minerais críticos e alta tecnologia (Embrapa), enorme território e capacidade agrícola. A Bolívia tem lítio. A Argentina tem terras raras, muito gás em Vaca Muerta e minerais a explorar. O Chile tem a mineração já desenvolvida. E assim por diante. Ser detentor de reservas minerais e capacidade para plantar soja é importante, mas muitos commodities se transformam em produtos finais apenas na China. E nós enquanto isso estamos entregando hidroenergia a baixo custo à criptominería (às vezes roubando-a da ANDE), mantendo tarifas políticas na eletricidade sem reinversões em infraestrutura, estamos falando de projetos gigantescos (não sabemos se é puro vento) de data centers com um Taiwan desmoralizado nem sabemos quanto ouro sai de Paso Yobái violando leis para enriquecer a políticos e empresários inescrupulosos, e estamos com uma agricultura com alta tecnologia e baixos controles ambientais. Os commodities estão na terra ou é possível plantá-los em poucos lugares do mundo. As terras raras são 17 elementos dos quais 4 estão em todo o mundo, e não são muito raros. E podem estar no Paraguai. Por tan...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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