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Sociedade

A ciência explica por que os aromas nos transportam à infância

21/07/2026 20:45 3 min lectura 7 visualizações

O fenômeno científico por trás dos aromas da infância

Certos perfumes têm a capacidade de devolver instantaneamente a lugares específicos da infância: uma cozinha, um pátio de escola ou férias com os avós. Este fenômeno, imortalizado na literatura por Marcel Proust com sua célebre cena da madeleine molhada em chá em 'Em busca do tempo perdido', agora conta com uma explicação científica fundamentada.

Segundo um estudo do CNRS publicado na revista Plos Biology, as experiências olfativas repetidas e positivas durante a infância deixam uma marca duradoura no cérebro. Décadas depois, basta voltar a perceber esse mesmo aroma para reativar não apenas a memória, mas também as emoções vinculadas a ela.

O papel do bulbo olfativo na memória

Os pesquisadores identificaram como protagonistas um grupo de neurônios do bulbo olfativo, uma região cerebral que continua se desenvolvendo nos primeiros anos de vida. Quando um adulto se encontra novamente com um cheiro conhecido da infância, esses neurônios ativam os circuitos cerebrais relacionados à memória e à recompensa.

Com o passar dos anos, porém, a memória muda de suporte. À medida que o cérebro reorganiza suas conexões, a memória deixa de depender tanto desses neurônios iniciais e passa a se apoiar principalmente em redes vinculadas às emoções, o que explica por que esses recuerdos costumam conservar uma intensidade afetiva excepcional.

Metodologia da investigação

Para chegar a essas conclusões, os cientistas combinaram um estudo com voluntários humanos e experimentos com ratos.

Em primeiro lugar, perguntaram às pessoas sobre suas memórias olfativas mais antigas. Descobriram que, na maioria dos casos, não estavam associadas a um acontecimento isolado, mas a experiências agradáveis repetidas e a odores que permaneciam presentes ao longo da vida.

Com essa informação, projetaram um modelo experimental em ratos. Durante a infância, os animais foram expostos repetidamente a um cheiro agradável em um ambiente enriquecido e associado a experiências positivas. Já adultos, mostravam uma clara preferência por esse aroma.

Confirmação experimental do achado

Os experimentos permitiram também comprovar que, se os pesquisadores bloqueavam temporariamente os neurônios implicados nessa memória olfativa precoce, os animais deixavam de mostrar essa preferência, o que confirma seu papel essencial na formação da memória.

O trabalho também revela que esses recuerdos precisam permanecer vivos. Nos animais mais velhos, a persistência da memória dependia de se expor periodicamente novamente ao cheiro aprendido durante a infância, porque, sem esses reencontros, a marca tendía a se enfraquecer.

Por que o olfato é especial

Os autores acreditam que esses resultados ajudam a entender por que os odores evocam memórias mais antigas e emocionalmente mais intensas do que aquelas desencadeadas por imagens ou sons.

Estudos anteriores já haviam mostrado que a memória olfativa costuma remontar à primeira década de vida, enquanto as memórias provocadas por outros estímulos sensoriais costumam se situar mais tarde.

A investigação oferece assim uma explicação neurociêntífica a um dos exemplos mais célebres da literatura e reforça a ideia de que o olfato ocupa um lugar singular na memória humana, capaz de conservar durante toda a vida o rastro de momentos cotidianos aparentemente insignificantes.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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