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Economia

A carne vacuna se abre em dois mercados: volume e qualidade, a visão de Miguel De Achaval

28/08/2026 04:00 3 min lectura 3 visualizações

Miguel De Achaval, CEO de Inversora Juramento, entende que o mercado internacional de carne vacuna está entrando em uma etapa de maior segmentação, onde já não é suficiente analisar o produto bovino como uma única categoria.

Em sua opinião, está se aprofundando uma divisão entre uma carne de maior volume e perfil commodity e outra diferenciada por qualidade, capaz de capturar melhores valores em consumidores com maior poder aquisitivo.

Durante uma entrevista com Valor Agro, De Achaval colocou que essa separação será cada vez mais importante para definir as estratégias produtivas e comerciais dos países exportadores. "Vamos ver uma coisa que nunca vimos antes: o mercado se abriu em dois. Um commodity e outro mais de qualidade, mais específico", afirmou.

O empresário explicou que essa diferenciação também está vinculada ao tipo de produção e ao perfil racial dos animais. Ao se referir a uma recente conversa com o analista australiano Simon Quilty, indicou que as perspectivas de preços não necessariamente são iguais para toda a carne bovina.

Segundo De Achaval, o cenário de maior valorização estaria especialmente associado a carnes provenientes de gado Bos taurus, cuja produção é mais limitada e pode se orientar para consumidores dispostos a pagar um diferencial por atributos específicos. "O que se vai produzir vai ser produzido para gente que tem capacidade aquisitiva para pagar um pouco mais", comentou.

Em contrapartida, apontou que os segmentos de maior volume, associados a um produto mais padronizado e com forte competição internacional, podem encontrar maiores dificuldades para continuar repassando aumentos de preços.

Para De Achaval, essa nova configuração do mercado representa uma oportunidade concreta para Argentina e Uruguai, onde existe uma importante base de raças britânicas e sistemas produtivos com condições para posicionar carne diferenciada.

O desafio, sustentou, passa por evitar competir unicamente por volume e começar a construir uma identidade comercial mais clara em torno da qualidade. "Isso é o que têm que fazer Argentina e Uruguai: se separarem e se classificarem diferente", afirmou.

Além das diferenças produtivas entre países, De Achaval sustentou que cada origem deve buscar a melhor forma de potencializar as características próprias de sua carne e evitar entrar em uma competição baseada exclusivamente em preço.

Nesse sentido, considerou que o mercado internacional oferece espaço para produtos com maior grau de especificidade, desde que exista capacidade para demonstrar e sustentar esses atributos frente ao comprador.

A diferenciação, ressaltou, não depende unicamente da indústria frigorífica. Para que uma estratégia de qualidade seja consistente, deve envolver todos os elos da cadeia. "Desde o criador, produtor, terminador, frigorífico. Toda a cadeia nesse ponto específico tem que estar mais unida".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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