A Brunhilde Guggiari de Masi
Um canto repleto de recordações caracteriza a casa localizada no bairro Recoleta onde viveu durante muitas décadas a acuarelista Brunhilde Guggiari de Masi. A moradia, projetada nos anos 40 pelo construtor Crimi, conservava seu encanto original com um cercado verde que permitia entrever a fachada do chalé.
Brunhilde foi esposa do médico e pesquisador Rafael Masi e irmã do reconhecido escultor Hermann Guggiari. Como artista, perpetuou em aquarelas todas as jasmins, rosas, cravos e orquídeas de seu jardim, obras que conviviam com fotografias antigas da família nas grossas paredes daquela casa de outros tempos.
Seus dez filhos e os lanches do bairro
Por esta poética casa passaram parentes, centenas de amigos da família e companheiros de seus dez filhos. Brunhilde recebia a todos com genuíno carinho, convidando as crianças do bairro, sem distinção alguma, para lanchar na longa mesa da casa. Depois de brincar no pequeno campo localizado no grande pátio, as crianças desfrutavam da hospitalidade da anfitriã.
A casa também foi cenário de tradições memoráveis, como os presépios vivos de fim de ano, quando se procurava no bairro um recém-nascido para representar Jesus, e cada vizinho assumia um papel especial naquelas celebrações.
As terças de Bruni
Cada terça, Brunhilde recebia seus sobrinhos para almoçar, ocasião na qual compartilhava momentos de intimidade familiar. Durante essas visitas, mostrava com cuidado seus recordes, anotações e aquarelas de flores guardadas em uma caixa de madeira como se fossem suas posses mais valiosas. Após a refeição, costumava compartilhar um aromático chá de jasmim enquanto relatava histórias de sua vida.
A obra de Brunhilde Guggiari de Masi transcendia a arte pictórica. Seu legado incluía o pátio onde contemplava e retratava suas flores, seus cadernos de desenhos, a casa em si, a longa mesa de encontros familiares e todas as histórias que compartilhava. Sua fé, seu amor pelo próximo e sua generosidade formavam parte integral de sua obra completa.
Uma luz que continua acesa
Edith Jiménez, amiga de infância de Brunhilde, expressava em um livro publicado no ano 2001 que o mais importante é o ser humano que brilha com luz própria. Embora Brunhilde já não esteja presente, deixou para sempre na esquina da rua ex-Boggiani e Mc Arthur uma luz que continua iluminando a quem quer que tenha passado por sua casa.
Os ipês rosados da calçada do bairro Recoleta permanecem como guardiões de seu eterno legado, lembrando quem soube transformar a beleza natural em arte e a hospitalidade em uma forma de vida.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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