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Vozinha, o guardião que chegou aos 40 anos para brilhar no Mundial

16/06/2026 21:00 3 min lectura 5 visualizações
Vozinha, el guardián que llegó a los 40 años a brillar en el Mundial

Um apelido com história

O Mundial tem a capacidade de resgatar do anonimato relativo um jogador de futebol e colocá-lo no centro do palco. Desta vez coube a Vozinha, um veterano experiente em múltiplas aventuras, capaz de sustentar sua seleção frente à Espanha no dia mais importante da história do futebol de Cabo Verde.

A origem de seu apelido remonta ao final dos anos oitenta e início dos noventa. Como muitas crianças cabo-verdianas, Josimar passava as horas jogando futebol sob a tutela de seus avós, enquanto sua mãe trabalhava e seu pai cumpria o serviço militar.

Participava de partidas improvisadas e ásperas, disputadas contra garotos maiores que ele. Recebia golpes, competia com intensidade e levava mal a derrota. "Me batiam muito e quando não conseguia devolver os golpes, voltava para casa bravo, com cara feia", recordou em uma entrevista concedida à FIFA em 2024.

Aquela imagem do pequeno Josimar retornando a casa emburrado originou um apelido que nasceu como brincadeira. Seus companheiros o zoavam porque diziam que corria se refugiar junto aos seus avós. Em português, 'avó' significa avó; 'avozinha', avózinha. Com o tempo ficou reduzido a Vozinha, uma forma carinhosa que encerrava toda uma história.

Um nome destinado ao futebol

Seu pai, apaixonado por futebol, queria chamá-lo de Valdano, em homenagem a Jorge Valdano, campeão do mundo com a Argentina no México '86. Porém, as autoridades cabo-verdianas não autorizaram aquele nome. A inspiração voltou a encontrar-se no Mundial.

Assim nasceu Josimar, em homenagem ao lateral brasileiro que deixou dois gols memoráveis frente à Irlanda do Norte e Polônia durante aquela Copa do Mundo. O garoto que anos depois jogaria um Mundial teria o nome de um jogador mundialista e um apelido herdado das ruas de seu bairro.

De Josimar a Vozinha

Quando Vozinha saiu de Cabo Verde para iniciar sua primeira aventura no exterior, tentou se desprender daquele apelido. Em 2012 se transferiu para o Progresso angolano e decidiu se apresentar simplesmente como Josimar, considerando que era o momento de deixar para trás um mote que nem sempre lhe havia agradado.

"Em Cabo Verde ninguém me conhecia assim. No princípio não gostava do apelido, me enlouquecia. Porém, quando cheguei em Angola, havia outro goleiro que se chamava Josimar. Então disse: 'Não vou colocar Josimar II na camisa'. E se todo mundo me conhecia como Vozinha em Cabo Verde, assim ia ficar".

Uma carreira de experiência e dedicação

Passou por Angola, retornou a Cabo Verde, jogou na Moldávia, Portugal, Chipre e Eslováquia. Em seu último clube, o Chaves, finalizou contrato nesta temporada após jogar na Segunda Divisão portuguesa. Construiu uma carreira longa, honrada e silenciosa, longe dos holofotes que costumam acompanhar as grandes estrelas. Enquanto outros acumulavam manchetes, ele acumulava quilômetros, partidas e experiências.

Chegou ao Mundial com 40 anos, depois de uma vida inteira perseguindo oportunidades. Chegou como Vozinha e permanecerá assim para sempre na memória do futebol mundial. Bastaram noventa minutos para mudar sua dimensão pública, transformando-o de um jogador conhecido principalmente pelos torcedores mais atentos em uma figura destaque do torneio internacional.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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