Viana sobre o novo cenário global: "Brasil não vai inundar o mercado" e projeta preços firmes para a carne
O mercado internacional de carne bovina atravessa uma forte reconfiguração e Brasil aparece no centro dos principais movimentos. A saída temporária do mercado europeu, a abertura de novas oportunidades nos Estados Unidos e a expectativa de recuperar maior capacidade de colocação na China marcarão, segundo o broker José Viana, o comportamento do negócio nos próximos meses.
Em conversa com Valor Agro, Viana apontou que a ausência do Brasil na Europa representa um problema relevante, principalmente porque esse destino concentra cortes nobres e carne resfriada de maior valor. Entretanto, descartou que esta situação provoque uma sobreoferta brasileira sobre outros mercados.
Segundo explicou, os frigoríficos já estão reduzindo os níveis de abate e os produtores demonstram uma maior predisposição a reter gado nos campos. "Isto vai manter o preço", afirmou Viana, quem considera que Brasil não sairá a colocar agressivamente carne no mercado internacional a valores deprimidos.
A saída brasileira da Europa também poderia gerar oportunidades para outros fornecedores do Mercosul. Viana estimou que Argentina e Uruguai poderiam ampliar sua participação nesse mercado, principalmente com cortes de alto valor, enquanto Brasil poderia incrementar vendas dentro da própria região e para destinos alternativos.
Estados Unidos aparece como uma das principais válvulas comerciais para Brasil. A ampliação do acesso para carne destinada a produtos moídos se dá num momento de escassez de gado e elevados preços internos no mercado estadunidense. Para Viana, a recuperação do rebanho dos Estados Unidos ainda levará tempo, portanto a demanda de carne importada seguirá sendo importante.
"O mercado americano tem espaço para todos", sustentou. Em sua visão, uma maior participação brasileira não necessariamente deslocará o Paraguai, Uruguai ou Argentina, já que estes países poderiam reorientar uma maior proporção de cortes nobres para a Europa, onde os valores são superiores.
China completa o cenário. Viana explicou que Brasil busca ampliar novamente sua capacidade de exportação para esse destino, considerando o enorme peso do mercado chinês sobre suas vendas. A seu entender, a demanda continua sendo forte e existe margem para uma maior participação brasileira uma vez que se normalizem as condições comerciais.
Além disso, o broker ressaltou que o mercado interno brasileiro seguirá jogando um papel importante no sustento dos valores. A combinação de menor abate, consumo doméstico firme, demanda estadunidense e necessidades da China reduziria o risco de uma pressão baixista significativa sobre a carne e o gado.
Por tudo isto, Viana projeta um cenário de preços firmes durante os próximos meses e com fundamentos que poderiam estender-se até 2027.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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