Urge celeridade na reforma do transporte diante das dificuldades dos usuários
Governo firma decreto que regulamenta Lei de Reforma do Transporte Público com expectativa de modernização do sistema
A primeira forma de transporte público implementada em nosso país foi a ferrovia, que começou a operar em 1861. Em 1926 fez sua primeira viagem um ônibus, unindo as cidades de Assunção com San Bernardino e em 1931 havia uma linha que conectava Assunção com a cidade de Lambaré.
Anos depois, os paraguaios sofrem um dos piores serviços de transporte público da região, enquanto autoridades e funcionários continuam prometendo uma reforma. Nos anos 80 foi elaborado um Plano Maestro de Transporte Urbano denominado Plano Ceta, mas não se concretizaram avanços. Posteriormente, em 2012, foi amplamente debatido o projeto Sistema Troncal de Transporte Público Assunção-San Lorenzo, conhecido como Ônibus de Trânsito Rápido (BTR) ou Projeto Metrobús. Já sabemos como terminou: um fracasso que deixou um prejuízo econômico milionário para o Estado paraguaio.
Agora, com a assinatura do decreto que regulamenta a Lei de Reforma do Transporte Público abre-se novamente a expectativa para os usuários. A ministra de Obras Públicas, Claudia Centurión, explicou que a regulamentação que estabelece as condições jurídicas e normativas lhes permitirá avançar para "um sistema de transporte mais moderno, seguro, funcional e digno para a cidadania".
Quanto aos detalhes, o vice-ministro de Transporte, Emiliano Fernández, assegura que a reforma será gradual, que começará com um corredor este ano priorizando ônibus elétricos.
O eixo principal da reforma radicará na licitação entre 5 e 6 corredores estratégicos na área metropolitana para terminar com a fragmentação atual, onde múltiplas empresas competem pelos mesmos passageiros, gerando um serviço ineficiente. Com este esquema, as empresas que vencerem as licitações deverão gerir corredores completos (como a Transchaco ou Mariscal López), otimizando os itinerários para chegar a zonas hoje desatendidas.
O vice-ministro afirmou que com o primeiro corredor de ônibus espera-se a injeção de 400 novas unidades ao sistema, que atualmente opera com pouco mais de 1.400 e indicou que, segundo as projeções, este novo troncal poderia funcionar desde os primeiros meses de 2027. A meta do Governo é que para 2028 se injetem 1.000 ônibus novos e que em 2030 sejam 1.800.
A respeito de as unidades serem elétricas está se conduzindo um debate sobre o custo.
A reforma do transporte não somente é urgente, como é necessária. A situação do trânsito e da mobilidade cidadã é um absoluto caos. Como apontava um informe de 2025 do Banco Mundial, na área metropolitana de Assunção reside 34% da população do país, mas também ali concentra 47% da frota automotora. Com o crescimento demográfico, a expansão urbana e o maior número de veículos nas ruas, a infraestrutura de transporte encontra-se sob pressão. Isto por sua vez está causando congestionamento, tempos de viagem mais longos e contaminação. O informe sustenta que Assunção é uma das poucas capitais da América Latina que não conta com um sistema de trânsito rápido.
Esta realidade deve mudar. As autoridades devem reconhecer que as pequenas mudanças implementadas foram bem-sucedidas porque eram necessárias, como o serviço noturno Búho, que completou um ano, e que com quatro linhas oferece viagens seguras entre as 22:00 e as 04:00, e que em seu primeiro ano transportou quase 34.000 passageiros.
A cidadania tem o direito de reclamar eficiência das autoridades do Governo e de esperar respostas mais rápidas aos principais reclamos. Como expressavam usuários em uma reportagem, "O que cansa é sair e estar se estressando pela questão do transporte... Uma hora de espera... Vem e não consegues subir porque está repleto ou o motorista passa de largo porque lhe deu vontade de não parar".
O sistema atual é desumano e indigno e as autoridades devem se comprometer mais com o bem-estar dos trabalhadores e estudantes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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