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Polícia

Uma mulher de 34 anos me enganou fingindo ser uma adolescente de 12 com autismo

Caso de fraude e usurpação de identidade choca Brasil após prisão em Santa Catarina

10/06/2026 07:45 4 min lectura 11 visualizações
Una mujer de 34 años me engañó haciéndose pasar por una adolescente de 12 con autismo

"Não nos fixávamos na mulher, mas na história que ela contava".

Assim explica Renata Magalhães, uma nutricionista de 52 anos do Rio de Janeiro, como uma mulher de 34 anos que afirmava ser uma adolescente de 12 anos com autismo a enganou durante um mês em 2023.

No dia 3 de junho passado, Renata sentiu um calafrio e como sua garganta secava quando viu que a história que ela viveu se repetia, desta vez em Santa Catarina.

O caso captou a atenção nacional quando a polícia de Santa Catarina revelou que havia prendido a mesma mulher, Amanda Maria, agora com 37 anos, em Joinville, acusada de fraude e usurpação de identidade.

Em Santa Catarina, segundo a polícia, Amanda usou o nome falso de Gabriele e viveu 14 meses com uma família, fingindo também ser uma adolescente.

No Rio de Janeiro, em 2023, Amanda foi acolhida sob o nome de Duda e passou um mês aos cuidados de Renata Magalhães e Viviane Henriques, de 45 anos, diretora de um projeto social.

Ambas as amigas costumam acolher crianças vítimas de abuso e com autismo.

Segundo a polícia, Amanda cometeu o mesmo esquema em outros estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

Na audiência de custódia em Joinville, onde sua prisão foi confirmada, Amanda confessou os delitos.

Seu advogado, Rafael Luiz Siewert, contou à BBC News Brasil que solicitou ao tribunal um exame psiquiátrico para "avaliar o estado mental" de sua cliente.

O pedido foi concedido e a Polícia Científica realizará o exame.

Viviane relata que seu primeiro contato com Duda foi através da página do Facebook do projeto social "Mãos que Abençoam com Amor", que ela dirige.

Segundo Viviane, a mulher dizia ser uma adolescente que havia fugido de uma vida de abusos no Ceará, vítima de um pai que, conforme ela afirmava, era um curandeiro e a obrigava a se prostituir, administrando-lhe hormônios para acelerar seu desenvolvimento.

Viviane conta que Duda afirmava ter viajado com caminhoneiros até chegar a Magé, na região da Baixada Fluminense.

Viviane e Renata foram resgatá-la. De volta em Nova Iguaçu, onde vivem, alugaram e mobiliaram um pequeno apartamento para ela.

"Quando ela me contou a história, fiquei apavorada, porque eu já havia lidado com esse tipo de situação", diz Viviane.

"As pessoas acham absurdo. Mas, pessoalmente, parecia uma adolescente, sempre com casaco e capuz. Dizia ter autismo e falava como uma criança. Partiu nossos corações".

Viviane e Renata contam que cuidaram de Amanda como se fosse uma adolescente durante um mês e que acabaram desenvolvendo um vínculo emocional com ela.

"Dei carinho, amor, comida. Não havia forma de suspeitar de nada", explica Renata, que se apegou muito a Duda.

As duas amigas dizem que Amanda se comportava como uma criança: pedia mamadeira, chupeta e comida infantil. Mas não pedia dinheiro.

Também tinha agulhas cravadas no corpo. As duas amigas contam que fizeram uma radiografia que revelou mais de 200 agulhas.

"Inclusive saíam pela boca, foi apavorante", acrescenta Renata.

Segundo as duas amigas que a acolheram, Amanda dizia que seu pai, a quem chamava de "bruxo", havia inserido as agulhas em rituais.

Renata relata que Amanda também pediu para não ser levada aos serviços de proteção infantil, por medo de ser enviada de volta ao Ceará.

As suspeitas surgiram quando Duda começou a demonstrar conhecimento de coisas que uma criança de 12 anos não deveria saber e seu comportamento inconsistente levantou questões sobre sua verdadeira idade e identidade.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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