Um novo nome para a síndrome que afeta mais de 170 milhões de mulheres no mundo
Uma síndrome com múltiplas manifestações
A síndrome ovárica metabólica poliendocrino (SOMP) é uma condição que gera diversos sintomas em quem a padece. Entre as manifestações mais comuns encontram-se cansaço constante, crescimento excessivo de pelos faciais, dificuldades na regulação do peso corporal e complicações na concepção.
A Organização Mundial da Saúde estima que entre 10% e 13% das mulheres em idade reprodutiva vivem com esta condição, o que representa aproximadamente 170 milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, até 70% dos casos permanecem sem diagnóstico, o que significa que sete de cada dez mulheres afetadas desconhecem que padecem desta doença.
Além dos sintomas imediatos, a síndrome aumenta o risco de desenvolver outras afecções de saúde, como diabetes tipo 2, hipertensão e câncer de endométrio.
Histórico da mudança de denominação
Este é o terceiro cambio de nome na história da síndrome. Foi descrita pela primeira vez em 1935 pelos ginecologistas Irving Stein e Michael Leventhal, que estudavam mulheres com alterações menstruais e observaram uma aparência particular em seus ovários. Originalmente, a afecção foi denominada síndrome de Stein-Leventhal.
Com o tempo, a denominação original foi substituída por síndrome do ovário policístico (SOP), um nome que se manteve durante décadas, embora fosse problemático por vários motivos.
Por que o novo nome é importante
Embora os primeiros pesquisadores tivessem observado múltiplos sacos pequenos cheios de líquido nos ovários, posteriormente se esclareceu que não se tratava de quistos, mas de folículos: estruturas que contêm um óvulo em desenvolvimento. Nas mulheres com a síndrome, alguns desses folículos deixam de se desenvolver adequadamente e, frequentemente, nenhum amadurece o suficiente para liberar um óvulo.
O problema mais significativo com a antiga denominação residia em que sugeria que tudo girava em torno do ovário, reforçando a ideia equivocada de que se tratava exclusivamente de uma doença ginecológica. Isto gerou que durante anos a síndrome não fosse reconhecida em sua verdadeira dimensão como uma condição multissistêmica que afeta diversos aspectos do metabolismo e do sistema endócrino.
O novo nome, síndrome ovárica metabólica poliendocrino, reflete de maneira mais precisa a natureza complexa da condição e seu impacto em múltiplos sistemas do corpo humano, não apenas nos órgãos reprodutivos.
Impacto na vida das pessoas afetadas
Para quem vive com esta condição, o diagnóstico tardio e a falta de compreensão sobre sua verdadeira natureza significaram anos de incerteza e limitações em sua qualidade de vida. Muitas pessoas afetadas tiveram que investir tempo, esforço e recursos significativos para obter um diagnóstico adequado.
Frequentemente, a falta de reconhecimento da síndrome como uma condição integral gerou que suas múltiplas manifestações fossem tratadas de maneira isolada, sem abordar as causas subjacentes da condição.
A mudança de nomenclatura representa um passo em direção ao reconhecimento mais completo e preciso desta condição, com a expectativa de que isto contribua para melhorar os processos de diagnóstico, tratamento e compreensão geral da doença entre os profissionais de saúde e a população em geral.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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