Transparência nas negociações de Itaipu: um imperativo para o Paraguai
A necessidade de transparência em negociações estratégicas
Itaipu representa o maior ativo do Estado paraguaio e, portanto, não pode ser objeto de negociações confidenciais que escapem ao escrutínio público. A transparência nas tratativas diplomáticas não é um favor constitucional, mas uma obrigação que o Executivo tem perante a cidadania. Quando os documentos, atas e propostas se mantêm sob sigilo total, impede-se que a população possa controlar o que se cede e em troca de quê, aprofundando a assimetria histórica que tradicionalmente favoreceu o Brasil.
Tornar públicas as posições e exigências do Estado paraguaio nessas negociações permitiria que a cidadania se unisse em torno de objetivos comuns, tal como ocorreu com o apoio à seleção nacional. Abrir as janelas da diplomacia é, de fato, a estratégia mais sólida que o Governo poderia adotar para fortalecer sua posição negociadora.
Benefícios equitativos para a ANDE
Durante décadas, a energia produzida em Itaipu subsidiou o desenvolvimento industrial brasileiro mediante a cessão de potência a preços muito baixos. Esta situação deve se transformar através de uma negociação cuidadosa do Anexo C que outorgue à Administração Nacional de Eletricidade maiores margens de manobra técnicos e financeiros. O princípio da reciprocidade deve prevalecer: quando o Paraguai requerer energia, deveria acessá-la com as mesmas condições vantajosas que hoje desfruta o Brasil com os excedentes.
Os benefícios que resultem de tarifas justas ou da comercialização livre de excedentes a preço de mercado devem ser canalizados diretamente para a modernização da infraestrutura elétrica nacional. De pouco serviria ser coproprietários da hidrelétrica mais eficiente do mundo se, cada verão, a população de Assunção e do interior experimenta colapsos em transformadores e cortes de luz durante temperaturas extremas.
Prioridades para o sistema elétrico nacional
A saúde financeira da ANDE deve se converter em prioridade deste e dos sucessivos governos. A empresa requer recursos significativos para modernizar suas linhas de transmissão, implementar tecnologia de distribuição inteligente e garantir planos de novas fontes de geração. Se os resultados do Anexo C não se refletirem em um sistema elétrico robusto e em tarifas competitivas para os cidadãos, então as negociações não terão cumprido seu propósito essencial.
Certeza para o desenvolvimento econômico
Brasil defende seus interesses com uma diplomacia estruturada e com dados claros sobre a mesa. Paraguai deve se sentar nas negociações com certeza sobre seus objetivos e sem agendas ocultas. Sem conhecer as condições futuras do custo da energia de Itaipu, o caminho para atrair investimento industrial seguirá sendo incerto. As negociações do Anexo C são chave para o futuro do país, por isso é urgente acelerá-las e, simultaneamente, abrir os espaços para que a cidadania conheça o que está sendo acordado. Itaipu pertence a todos os paraguaios, e seus coproprietários têm direito de saber o que acontece nessas tratativas estratégicas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.