Terceiro Plano de Convergência Fiscal
Situação atual da dívida
A dívida pública ascende a USD 1.270 milhões, equivalente a 2,6% do PIB de 2025. Deste montante, USD 1.050 milhões correspondem a fornecedores de insumos e medicamentos do Ministério da Saúde, enquanto USD 220 milhões provêm de fornecedores de Obras Públicas.
Os compromissos financeiros originaram-se pela execução de obras e recepção de bens em montantes significativamente superiores ao plano de caixa autorizado pelo Ministério da Economia e Finanças. Esta situação foi possível devido à falta de sistemas integrados de controle físico-financeiro na recepção de bens de contratos plurianuais e na execução de obras públicas. Ambas as instituições anteciparam a execução prevista para anos posteriores sem que esta situação se refletisse adequadamente na contabilidade fiscal.
Os ministérios mantinham sistemas de administração de contratos desconectados do Sistema de Administração Financeira do Estado (SIAF), registrando faturas conforme dispunham de plano de caixa mensal, muito inferior aos montantes das faturas recebidas. Esta diferença acumulou-se até que os fornecedores não puderam sustentar o crescente endividamento.
Plano de ação apresentado
O Ministério da Economia e Finanças apresentou um plano de ação para sanar estes problemas. Como primeiro componente, prevê-se a implementação do Sistema Integrado de Gestão de Bens, Serviços e Obras (SIGEBYS), integrado ao SIAF. Este sistema assegurará a correspondência em tempo real entre execução física e financeira dos contratos, assim como seu registro em tempo e forma para garantir a transparência na administração financeira estatal.
Quanto à regularização de dívidas, os compromissos com fornecedores de obras estão sendo financiados com recursos de dívida, e o MEF acelerou os desembolsos com estimativa de normalizar os pagamentos ao final do ano. O pagamento de juros por atrasos está sujeito à aprovação de uma lei em tramitação no Congresso.
Para a dívida com fornecedores de insumos e medicamentos implementam-se dois componentes. O primeiro, já em processo, baseia-se na Cessão de Direitos de Cobrança (CDC) a entidades financeiras por USD 470 milhões. A diferença de USD 580 milhões será incluída no orçamento de 2027 para cancelamento mediante emissão de bônus prevista para início de 2028.
Impacto nas finanças públicas
As finanças públicas reportarão neste ano um déficit de 3,2% do PIB e de 3,9% em 2027, superando significativamente o limite de 1,5% do PIB estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal. O Plano de Convergência Fiscal prevê que o déficit fiscal converja ao 1,5% do PIB somente em 2028.
O cumprimento deste plano apresenta desafios significativos. A projeção de receitas tributárias, sem medidas tributárias adicionais, resulta otimista, enquanto que a contenção de gastos correntes requer decisões políticas firmes com respeito à compra de medicamentos, salários em saúde e educação, incorporação de novos policiais e universalização de pensões para adultos maiores.
O contexto eleitoral, cujas eleições estão previstas para abril de 2028, apresenta complexidades adicionais para implementar ajustes fiscais. O investimento público continua sendo o item com maior probabilidade de redução. Entretanto, o reconhecimento da realidade por parte do MEF e implementação de medidas para evitar problemas fiscais futuros representa um avanço em matéria de transparência fiscal.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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