Tensões no Oriente Médio: Estados Unidos adverte sobre possíveis represálias após ataques no mar Vermelho
Escalada de conflitividade na região
O conflito se estendeu ao mar Vermelho esta semana depois que rebeldes iemenitas declararam um bloqueio aos portos da Arábia Saudita e informaram sobre ataques contra dois petroleiros sauditas nessas águas.
O barril de Brent do mar do Norte superou os 100 dólares durante o dia, impulsionado por temores sobre o trânsito de petróleo no mar Vermelho, uma via alternativa para evitar o estreito de Ormuz.
Advertência estadunidense
O presidente estadunidense Donald Trump advertiu sobre um "grande castigo militar" dirigido ao Irã e aos rebeldes hutis do Iêmen se continuarem com novos ataques.
Trump indicou na quinta-feira à noite que utilizará os ativos iranianos congelados "que os Estados Unidos possui em sua posse e controla" para cobrir "qualquer dano causado a navios, cargas ou qualquer coisa relacionada" com os ataques no Golfo e suas adjacências.
Postura iraniana e avaliação internacional
O chanceler iraniano Abás Araqchi rejeitou o que classificou como uma atitude "irracional" e "dominante" dos Estados Unidos, após 12 dias consecutivos de operações estadunidenses contra território iraniano.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou em uma reunião do Conselho de Segurança que a situação no Oriente Médio "está fora de controle". "Uma crise alimenta a outra. Uma escalada desencadeia a seguinte", afirmou.
Incidentes reportados na região
Jordânia e Kuwait informaram ter interceptado projéteis, enquanto forças iranianas anunciaram ter atingido objetivos militares estadunidenses em ambos os países.
Meios de comunicação estatais iranianos reportaram que operações estadunidenses resultaram em baixas em Shalamcheh, na fronteira entre Irã e Iraque, assim como impactos na zona de Bushehr, onde se localiza a única usina nuclear civil do país. Também se informou sobre um impacto de míssil perto da cidade de Suza, na ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz.
Kuwait reportou um ataque com drones contra um de seus postos fronteiriços com o Iraque, sem registrar vítimas, e afirmou que suas defesas aéreas estavam "interceptando ataques hostis com mísseis e drones".
Operações no mar Vermelho
Os rebeldes hutis iemenitas informaram ter atacado na quarta-feira com mísseis e drones dois petroleiros sauditas no mar Vermelho, identificados como Encelia e Layla, concretizando assim sua ameaça de bloqueio à Arábia Saudita nessas águas que funcionam como rota alternativa a Ormuz.
Riad confirmou que o Encelia foi atingido.
Os Guardiões iranianos afirmaram ter impedido a passagem de três petroleiros no estreito de Ormuz, onde Washington e Teerã competem pelo controle dessa rota por onde transitava aproximadamente uma quinta parte do petróleo mundial antes da guerra.
Impacto no comércio marítimo
Por volta das 14h00 GMT de quinta-feira, 18 navios com matérias-primas cruzaram o estreito de Bab el Mandeb, que comunica o mar Vermelho com o oceano Índico, frente a 26 navios que transitaram pela passagem no dia anterior, segundo dados da consultora Kpler.
Esforços de mediação
Omã, considerado um mediador-chave na prolongada confrontação entre os hutis e a Arábia Saudita, comunicou estar trabalhando para retomar as conversações entre ambas as partes, ao tempo em que expressou sua "grande preocupação" com a situação regional.
As hostilidades entre Estados Unidos e Irã foram retomadas no início deste mês após um cessar-fogo que durou apenas semanas, mergulhando novamente a região em uma dinâmica de tensão pelo controle do vital estreito de Ormuz.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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