Suíça abrirá seus arquivos secretos sobre Joseph Mengele, mas qual é a relação do 'Anjo da Morte nazista' com esse país?
O Serviço Federal de Inteligência suíço anunciou que finalmente abrirá os arquivos, selados por muito tempo, sobre o infame criminoso de guerra nazi Josef Mengele, embora não tenha especificado uma data.
Mengele fugiu da Europa após a Segunda Guerra Mundial, mas durante anos circularam rumores de que passou um tempo na Suíça, apesar de existir um mandado de prisão internacional contra ele.
Historiadores solicitaram repetidamente acesso aos arquivos, mas até agora as autoridades suíças se recusavam.
Mengele era médico e serviu nas Waffen SS alemãs. Foi designado para o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia ocupada pelos nazistas, onde selecionava pessoas que seriam enviadas às câmaras de gás.
Estima-se que morreram 1,1 milhões de pessoas, entre elas cerca de um milhão de judeus.
As Waffen-SS surgiram no início da Segunda Guerra Mundial como as tropas de combate das temidas SS, os homens encarregados de proteger Hitler.
Mengele era conhecido como o Anjo da Morte, também selecionava prisioneiros, principalmente crianças e gêmeos, para realizar com eles experimentos médicos sádicos, antes de enviá-los também à morte.
Após a guerra, Mengele, assim como muitos altos cargos nazistas, rapidamente mudou tanto seu uniforme quanto seu nome.
Com sua identidade falsa, obteve documentos de viagem da Cruz Vermelha no consulado suíço de Genebra, no norte da Itália, e os utilizou para fugir para a América do Sul.
A Cruz Vermelha concedeu esses documentos a milhares de pessoas em toda a Europa que haviam sido deslocadas ou ficaram apátridas por causa da guerra, mas alguns nazistas que buscavam evadir a justiça também conseguiram obtê-los, razão pela qual a Cruz Vermelha posteriormente pediu desculpas.
Embora tenha fugido da Europa em 1949, Mengele passou férias de esqui nos Alpes suíços com seu filho Rolf em 1956. Essa informação é conhecida desde a década de 1980.
Oficialmente, depois disso, passou o resto de sua vida na América do Sul.
Mas a historiadora suíça Regula Bochsler sempre se perguntou se Mengele retornou, especialmente após ter sido emitido um mandado internacional de prisão contra ele em 1959.
Ao investigar o possível papel da Suíça como país de trânsito para nazistas em fuga, Bochsler descobriu que em junho de 1961 o serviço de inteligência austríaco advertiu a Suíça de que Mengele viajava com um nome falso e que poderia estar em território suíço.
Enquanto isso, a esposa de Mengele havia alugado um apartamento em Zurique e solicitado residência permanente.
"Há indicações de que Mengele planejava uma viagem à Europa em 1959", declarou a historiadora à BBC. "Por que a Sra. Mengele alugou um apartamento em Zurique?".
O apartamento estava localizado em um bairro modesto, e a família Mengele tinha recursos para algo muito mais luxuoso. No entanto, ficava próximo ao aeroporto internacional.
Bochsler conseguiu consultar os arquivos da polícia de Zurique, que demonstravam que em 1961 o apartamento foi colocado sob vigilância. A polícia observou inclusive a Sra. Mengele dirigindo seu Volkswagen, acompanhada por um homem não identificado.
Deter um criminoso de guerra procurado, como Mengele em 1961, teria implicado a polícia federal suíça. Por isso, em 2019, Bochsler solicitou ao Arquivo Federal Suíço acesso a seus arquivos.
Seu pedido foi negado. Os arquivos devem permanecer selados até 2071 por motivos de segurança nacional e para proteger sua família.
Bochsler não foi a primeira nem a última a receber uma negativa. Historiadores e jornalistas solicitaram repetidamente acesso a informações sobre a possível estada de Mengele na Suíça, mas a resposta consistentemente foi "não".
No entanto, em fevereiro de 2024, o Serviço Federal de Inteligência suíço anunciou que abriria os arquivos para os pesquisadores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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