Sonho enjaulado: China Popular e sua obsessão pelo Pacífico
- Juan Carlos Dos Santos G.
- X: @juancads
- Fotos: Arquivo/Cortesia
O relógio já corre. China Popular tem uma data marcada em vermelho: 2049. Até então, propõe-se ter "reunificado" Taiwan e deslocado os Estados Unidos como potência dominante do Pacífico. Mas entre a ambição e a realidade se interpõe um arquipélago de ilhas que funciona como uma corrente invisível, e Pequim sabe que deve rompê-la.
Não se pode entender China Popular sem compreender como sua política interna dita sua projeção externa e tampouco se pode ignorar o objetivo que tem prazo de validade. 2049 é o limite para a "reunificação" com Taiwan e o deslocamento dos Estados Unidos como superpotência dominante na região do Pacífico.
O primeiro "objetivo" não pode esperar até 2049. China Popular possivelmente já inicie a partir de 2027 a contagem regressiva para o que eles chamam "reunificação", algo que poderia ocorrer pela via política ou, bem, pela força.
Mas China tem um grande obstáculo geográfico, embora pareça incrível para estes tempos de interconexão digital e globalidade comercial, e se chama Primeira Cadeia de Ilhas.
Este atoleiro de ilhas que começa no Japão se estende até as ilhas do sul, como Okinawa, continua em Taiwan e fecha com o arquipélago das Filipinas, encerra a China e deixa o mar Meridional como um lago interno do qual não pode se mover com liberdade nem sua área de influência.
LIBERDADE SEM CONTROLE
O grande objetivo é romper essa cadeia e sair sem ser controlado ao Pacífico e, a partir de então, China mudará seu olhar para a Segunda Cadeia de Ilhas, a última fronteira que permite até hoje ser a potência dominante aos Estados Unidos.
Este pensamento estratégico foi concebido por Deng Xiaoping, o arquiteto do sistema, do avanço e do crescimento atual de China Popular, e é Xi Jinping, seu atual líder, o engenheiro que o está levando à realidade.
Deng entendeu, após o caos da Revolução Cultural de Mao Zedong, que China não podia projetar poder para o exterior se primeiro não se tornava um gigante econômico.
Sua doutrina se resumiu em uma célebre máxima que guiou a política externa de Pequim durante três décadas: "Ocultar o brilho, cultivar a obscuridade". Em outras palavras: crescer em silêncio, não buscar a liderança global antes de tempo, evitar confrontações diretas com Washington e, sobretudo, assimilar a tecnologia e o capital do Ocidente.
Okinawa, ao sul do Japão e a poucos quilômetros de Taiwan, abriga as bases militares de Naha e Kadena.
A LIÇÃO DE HONG KONG
Sob este manto de calculada submissão, Deng desenhou a estrutura da China moderna. Soube que a dependência logística e a vulnerabilidade geográfica eram os calcanhares de Aquiles do país. A lição de Hong Kong em 1982 – onde demonstrou que controlando recursos vitais como a água se podia dobrar um império sem disparar um único tiro – foi o laboratório de uma estratégia maior. Deng plantou as bases econômicas para que China pudesse, eventualmente, construir a chave de passagem dos mares que hoje a encerram.
Mas o tempo da obscuridade cultivada terminou. Com a chegada de Xi Jinping ao poder em 2012, o roteiro de Deng Xiaoping sofreu uma metamorfose radical. Xi arquivou a discrição e a substituiu pelo "sonho chinês", a doutrina oficial que busca o "grande rejuvenescimento da nação". Este conceito não é uma mera consigna propagandística para o consumo interno; é um plano de operações com objetivos militares e soberanos explícitos. O "sonho chinês" dita que o país deve recuperar o status de potência central que o "século da humilhação" lhe roubou, e isso requer, obrigatoriamente, o controle absoluto de suas periferias de segurança.
ROMPER A CADEIA
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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