Sindicatos alertam sobre o impacto de tarifas na Hidrovia
Gremios marítimos, industriais e exportadores de grãos expressam preocupação com projetos tarifários que podem elevar custos de exportação
Os sindicatos marítimos, indústrias e exportadores de grãos, que são usuários da Hidrovia Paraguai-Paraná alertaram em um comunicado sobre o avanço de distintos projetos e esquemas tarifários que poderiam incrementar os custos da exportação.
Entre os projetos, citaram a controvérsia gerada pela tarifa estabelecida pela República Argentina, que ainda não está resolvida. Além disso, a nova concessão da Via Navegável Troncal da Argentina e as informações relacionadas com iniciativas privadas paraguaias vinculadas ao dragado e manutenção do rio Paraguai.
A esse respeito, destacaram que esses planos devem "preservar a competitividade do comércio exterior paraguaio mediante uma gestão integral, eficiente, coordenada e transparente de todo o sistema de navegação".
As 11 corporações esclareceram que apoiam e promovem os investimentos e melhorias que permitam uma navegação mais segura, eficiente e previsível. Mas que toda tarifa ou pedágio deve se sustentar em uma metodologia de cálculo clara, verificável e proporcional aos serviços prestados.
Por isso, os sindicatos alegaram que rejeitam a nova concessão da Via Navegável Troncal recentemente adjudicada pela República Argentina, no tramo do território argentino do rio Paraná. O setor preocupa-se que se pretenda manter, por um prazo de 25 anos ou mais, a tarifa de USD 1,30 por tonelada de registro neto.
Consideram que a economia do transporte fluvial não se encontra adequadamente refletida em uma metodologia baseada exclusivamente na tonelagem de registro neto.
"Esta forma de cálculo pode gerar um impacto desproporcional sobre os comboios de barcaças e, por extensão, sobre produtos paraguaios como a soja, a farinha, o óleo e as importações de combustíveis e insumos, cuja competitividade depende de maneira decisiva da eficiência da navegação", expuseram no comunicado.
Neste contexto, também expressaram sua preocupação de que "um projeto privado de concessão para o dragado e manutenção do rio Paraguai tenha avançado até obter uma resolução favorável de pré-factibilidade sem uma instância prévia e suficiente de informação e consulta aos principais usuários".
O setor alegou que essa iniciativa "requer conhecer com precisão seu alcance, as obras propostas, o nível de investimento, a metodologia tarifária, os mecanismos de controle e seu impacto econômico sobre o comércio exterior".
A esse respeito, sinalizaram que uma análise fragmentada de cada tramo ou projeto pode produzir uma acumulação de tarifas e custos ao longo da rota comercial, sem uma avaliação integral de seu impacto sobre a economia paraguaia.
"Para um país mediterrâneo, não basta analisar individualmente cada pedágio, concessão ou intervenção, é necessário considerar o custo total de transportar a produção nacional desde sua origem até os mercados internacionais, assim como a importação de produtos e insumos críticos para nossa economia", diz o comunicado. Por isso, solicitaram que os processos sejam transparentes.
O comunicado foi assinado pelo Centro de Armadores Fluviais e Marítimos (CAFYM), Centro de Importadores do Paraguai (CIP), Feprinco, Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais (Cappro), União de Sindicatos da Produção (UGP) e outros.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.