Silvio Ovelar: "A embriaguez do poder está nos fazendo perder o rumo"
O senador colorado Silvio Ovelar saiu ao passo das versões que vinculam o bloqueio do empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com um suposto benefício político para Caaguazú e assegurou que a interpretação é "incorreta". Explicou que as obras incluídas no projeto foram gerenciadas há muitos anos e que ele unicamente atuou como "articulador" entre as comunidades e o Governo.
"A ausência ou que tenha ficado sem quórum a Câmara de Deputados pela ausência de uma maioria de deputados de Honor Colorado, logicamente chama a atenção, mas creio que é uma interpretação incorreta", expressou.
Sustentou que as obras não foram incorporadas recentemente e que, se uma parte importante beneficia Caaguazú, responde às gestões realizadas por dirigentes e moradores do departamento.
"São projetos que vêm de há muito tempo. Se finalmente 50% de todas essas obras recaem no Departamento de Caaguazú é produto da gestão de meus conterrâneos. Eu, simplesmente, sou um articulador, um gestor a mais".
Consultado sobre se o pano de fundo responde a disputas de liderança dentro do oficialismo, Ovelar respondeu que "parece que os ciúmes hoje prevalecem acima da racionalidade".
A seu critério, a aprovação do empréstimo fortaleceria a imagem do presidente Santiago Peña, já que permitiria executar obras longamente reclamadas por comunidades do interior.
"Se essas obras se executam, finalmente vai ser o governo de Santiago Peña o que vai ficar bem posicionado cumprindo compromissos de anos", afirmou.
Como exemplo, citou o caso de comunidades que esperam há mais de duas décadas a construção de uma ponte ou o asfaltamento de caminhos.
"Imaginem comunidades postergadas como a de Pengo, onde uma ponte se solicita há mais de 20 anos. A gente tem que passar em balsas e quando a balsa não funciona, em canoa. Ou caminhos que precisam de asfaltamento na zona de Carayaó até San Joaquín, ou em Caazapá, de Tuna a Abaí, ou em Maracaná. São obras que vão fortalecer a gestão da ministra e do governo de Santiago Peña".
Ante a pergunta se são os próprios deputados cartistas quem termina prejudicando o Governo, o legislador evitou personalizar o conflito, embora insistisse que o mecanismo escolhido foi um erro. "Interpretam incorretamente. Eu sou um articulador", respondeu.
"Todos têm o legítimo direito de impulsionar candidaturas. O que digo é que o mecanismo é incorreto. Ultimamente todos querem ser vice-presidentes da República e me parece legítimo, mas ausentar-se de um ato onde o presidente do partido convida todo o coloradismo, inclusive a dissidência, e nós mesmos, os de Honor Colorado, lhe façamos o vazio, é um erro estratégico", disse sobre a ausência de governadores na plenária de Honor Colorado, devido a que buscam contar com seu próprio candidato a vice-presidente.
Quando lhe perguntaram a quem estava dirigido esse desplante, respondeu: "Ao presidente do partido e ao partido mesmo". Também destacou a atitude do presidente da ANR, Horacio Cartes. "O presidente Horacio Cartes é um homem que atua com muita prudência. É muito difícil ouvir um desatino dele".
Ovelar sustentou que dentro do oficialismo estão se misturando disputas políticas com projetos impulsados pelo Poder Executivo.
"Estão misturando tudo. Estão complicando projetos do Executivo. Esses projetos se iniciaram com a ministra de Obras Públicas e eu me converto nada mais em um articulador, em um gestor", indicou.
"Creio que estamos misturando os tantos e parece que estamos entrando em um processo de embriaguez do poder", lançou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.