Ser oposição e alternativa ou não ser
Diante deste avanço, a oposição apresenta uma configuração complicada. Está fragmentada no aspecto organizativo e ideológico. Não a une uma estrutura comum nem um ideário. Paradoxalmente, tampouco parece uni-la o adversário à sua frente, a julgar pela porosidade das fronteiras partidárias e o alinhamento de alguns com o oficialismo no Congresso.
Ser oposição é complexo. Deve fiscalizar, criticar e se opor ao governo, mas também construir uma proposta positiva e demonstrar que pode governar. É um jogo difícil não ser governo, mas convencer a cidadania de que pode sê-lo.
No centro deste labirinto está o PLRA, um partido histórico que tem demonstrado capacidade de adaptação e sobrevivência. Forjado na resistência à ditadura stronista, carrega a marca da resiliência e possui um denso enraizamento territorial que constitui a base de sua persistência.
Mas também é o partido das divisões e das lutas fratricidas. Como advertia Sartori, quanto menos espera governar uma oposição, menores são seus incentivos para ser responsável. A competição interna pode então se converter em um fim em si mesma e controlar o partido pode resultar mais importante que prepará-lo para governar. Apesar disso, o PLRA segue sendo o partido opositor maior e mais organizado. Dividido, sim, mas presente. Sua estrutura é uma base indispensável para construir uma alternativa.
O resto do ecossistema opositor é igualmente complexo. Convivem partidos históricos de pouca musculatura eleitoral, partidos hidropônicos, personalistas e alguns inclusive virtuais. Uma pluralidade de siglas carentes de organização, presença territorial e identidade política articuladora. Este conglomerado de organizações concentrou seus esforços, ao longo de trinta anos, em encontrar um candidato capaz de derrotar a ANR.
Para isso ensaiou múltiplas estratégias eleitorais que não alcançaram o objetivo. Mas o erro não foi a busca do candidato, mas converter essa busca no substituto da construção partidária. Buscou-se a pessoa que encabeçasse a chapa, mas nunca se pensou em construir a organização, o programa de governo ou os mecanismos de coordenação que sustentariam essa candidatura. Assim, em cada eleição se buscou construir um candidato, mas não uma organização estável.
A ciência política e a evidência empírica ensinam que uma oposição não se forma unicamente por não estar no governo. Necessita organização, institucionalização e lideranças comprometidas. Converter-se em alternativa requer, além disso, um programa. E como é evidente que uma só ideologia não pode aproximar uma constelação tão heterogênea de atores, os acordos políticos de médio prazo também funcionam como mecanismos de coordenação.
Por história, tamanho e presença territorial, ao PLRA lhe corresponde conduzir a construção de uma plataforma de oposição e alternativa. Mas liderar não significa impor, mas ordenar, coordinar e dirigir.
A tarefa da oposição é, então, titânica. Deve controlar a um partido predominante, reduzir sua fragmentação, construir um programa e convencer a cidadania de que pode governar. Seu desafio não consiste unicamente em unir-se para derrotar a ANR. Consiste em demonstrar que pode ser, ao mesmo tempo, oposição e alternativa.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.
Carlos Arrúa, a um passo do Guaraní
Mídia britânica ataca Argentina