Senado adia votação de projeto que declara emergência no IPS
Comissão técnica será formada para revisar proposta antes do tratamento em plenário
A Câmara de Senadores resolveu adiar por 30 dias o tratamento do projeto de lei que busca declarar em estado de emergência o Instituto de Previsão Social (IPS), após análise realizada na Comissão de Fazenda e Orçamento, onde o presidente da previsional, Dr. Isaías Fretes, expôs a situação financeira da instituição e apresentou observações sobre a iniciativa.
O adiamento foi apresentado pelo senador Natalicio Chase, que propôs a conformação de uma mesa ou comissão técnica para revisar o projeto e estudar alternativas que permitam fortalecer a proposta antes de seu tratamento no plenário. A iniciativa voltará a ser considerada dentro de um mês.
Durante sua comparecência perante os legisladores, Fretes reconheceu que o IPS atravessa uma situação complexa, embora tenha sustentado que a declaração de emergência poderia se converter em uma ferramenta útil para agilizar procedimentos administrativos, mas não resolveria por si só os problemas financeiros da instituição.
Conforme explicou, o IPS arrecada pouco mais de G. 1 trilhão por mês, dos quais 44% se destinam à área de saúde. Porém, a disponibilidade de recursos continua sendo insuficiente frente às necessidades operativas. Fretes detalhou que a instituição destina aproximadamente G. 44.000 milhões mensais à compra de medicamentos, quando a demanda real rondaria os G. 150.000 milhões.
A decisão de adiar o tratamento também ocorre em um contexto de discrepâncias sobre o alcance da declaração de emergência. A Comissão de Saúde e Seguridade Social do Senado emitiu parecer de rejeição ao projeto encaminhado pela Câmara de Deputados, argumentando principalmente a ausência de uma fonte de financiamento claramente definida.
Em paralelo, o senador Juan Afara apresentou uma nova proposta legislativa que declara em emergência o Fundo de Doença-Maternidade do IPS e incorpora mecanismos de financiamento específicos, entre eles a emissão de bônus, empréstimos com organismos multilaterais e outros instrumentos financeiros. O projeto de lei propõe que o Estado honre sua contribuição pendente ao sistema de saúde, equivalente a 39% dos recursos, aproximadamente USD 304 milhões. A iniciativa planeja obter esses fundos mediante emissão de bônus ou outros mecanismos gerenciados pelo Ministério da Economia. Segundo Afara, o dinheiro será destinado exclusivamente à compra de medicamentos, insumos médicos, equipamentos e contratação de pessoal, sem ser utilizado para o pagamento de dívidas. O legislador sustentou que a medida permitiria atender à falta de abastecimento e responder às necessidades urgentes dos segurados durante um ano.
O presidente do Congresso, Basilio Bachi Núñez, respaldou o adiamento por 30 dias do projeto que declara em emergência o IPS e pediu analisar minuciosamente as alternativas de financiamento propostas. Em referência à iniciativa do senador Juan Afara, que contempla a emissão de bônus por USD 300 milhões para a compra de medicamentos e insumos, assinalou que toda medida que beneficie os segurados deve ser considerada, mas com estritos controles. "Vamos analisar este projeto com lupa", afirmou. Núñez reconheceu a crise financeira da previsional e sustentou que a mesa técnica permitirá avaliar mecanismos que garantam transparência e resultados concretos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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