Sem rastro: IPS não conseguiu identificar destino de cerca de 275 antibióticos
Auditoria Interna revela entrega de medicamentos sem registro de pacientes
A Auditoria Interna do Instituto de Previsão Social (IPS) revelou que 275 ampolas do antibiótico Imipenem Cilastatina foram entregues sem registros de pacientes, impedindo conhecer quem recebeu o medicamento. O prejuízo patrimonial chega a G. 55 milhões.
A investigação surgiu a partir da descoberta do Ministério Público deste medicamento em dezembro de 2025, em um automóvel para presumivelmente ser colocado à venda. As ampolas tinham o selo do IPS.
O medicamento foi adquirido mediante o Contrato n° 379/2022, adjudicado à Euroquímica SA, com um montante global de G. 24.327 milhões e uma vigência de 25 meses. O preço estabelecido para cada ampola de Imipenem Cilastatina 500 mg foi de G. 200.000.
A auditoria sobre a rastreabilidade do Imipenem Cilastatina 500 mg detectou que cerca de 36 unidades foram entregues como "contingência" e outras 206 como "Materiais Utilizados por Posto" sem registros, conforme consta no SIH e no SAP desapareceram 33.
O relatório aponta que estas saídas foram realizadas sob duas modalidades: "Contingência/Exceção" e "Materiais Utilizados por Posto". Em ambos os casos, os registros não incluem dados fundamentais como a indicação médica nem a identificação do paciente beneficiário.
Segundo os auditores, esta situação impede reconstruir a cadeia completa do medicamento, desde sua saída do depósito até sua administração, gerando uma fragilidade no controle de um produto adquirido pela previdenciária.
A descoberta faz parte de uma revisão realizada sobre o manejo do lote externo 230902, do qual o IPS recebeu 5.600 unidades entre novembro de 2023 e maio de 2024.
Como saíram
Cerca de 36 unidades saíram sob a modalidade "Contingência/Exceção" desde distintas dependências do IPS, conforme o sistema SIH. Registraram-se saídas sem controle da Unidade Sanitária de Hohenau com 16 unidades, retiradas através da Janela da Farmácia Hohenau. Também no Hospital Central com 10 unidades, distribuídas entre Pacientes Internados, Puerpério, Posto e Clínica Médica Internado.
A lista continua com Hospital Regional de Pedro Juan Caballero com 7 unidades registradas no serviço Polivalente. No Hospital de Especialidades Cirúrgicas Ingavi com 1 unidade, processada pela Farmácia Interna.
Finalmente, o Hospital Regional de Coronel Oviedo com 1 unidade, registrada na Janela de Farmácia Externa e o Hospital Regional de Encarnación com 1 unidade, com saída pela Janela de Internados.
Enquanto cerca de 206 unidades descontadas sob o conceito "Materiais Utilizados por Posto", o desaparecimento se concentra em duas dependências; Principalmente na Unidade Sanitária de Caaguazú com 160 unidades utilizadas nos serviços de Urgências Adultos e Internado. E no Hospital Central com 46 unidades solicitadas e utilizadas pelo Serviço de Microbiologia. Sobre estas últimas unidades, Microbiologia informou que o medicamento não foi utilizado para tratamento de pacientes, mas como reagente diagnóstico para testes de resistência bacteriana (detecção de carbapenemasas).
Não obstante, a auditoria observou que este mecanismo de registro tampouco permite identificar o uso individual do produto nem manter uma rastreabilidade por paciente.
E no sistema SAP, cerca de 33 ampolas do Hospital de Especialidades Cirúrgicas - Ingavi saíram sem rastreabilidade.
Motivo da auditoria
A auditoria foi iniciada em consequência de uma presumida venda não autorizada de insumos médicos dentro do terreno do Hospital Central do IPS. O Ministério Público realizou uma revista e apreensão de produtos médicos no estacionamento daquele hospital, onde se encontraram veículos com medicamentos destinados à venda ilegal, em dezembro de 2025. Entre o apreendido encontrou-se uma ampola de Imipenem Cilastatina com a inscrição "uso exclusivo do IPS", o que motivou à Presidência da instituição a solicitar a investigação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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