"Se De la Espriella tentar acabar com conquistas sociais, virá uma reação da população na Colômbia e a oposição política se fará sentir": entrevista com Iván Cepeda, ex-candidato presidencial
O político de esquerda que recebeu mais votos na história colombiana analisa a vitória da direita e questiona a dupla nacionalidade do presidente eleito
Nenhum candidato de esquerda foi mais votado na história da Colômbia que Iván Cepeda Castro (Bogotá, 1962).
Ainda assim, 12,7 milhões de votos não foram suficientes para que o indicado para suceder Gustavo Petro derrotasse o advogado de direita Abelardo de la Espriella no segundo turno das eleições presidenciais de 21 de junho.
De la Espriella tornou-se novo presidente eleito da Colômbia com quase 13 milhões de cédulas, recorde absoluto para um candidato no país, com um discurso de mão dura contra o crime e a esquerda colombiana.
Em campanha chegou a dizer que a esquerda é "inimiga da República" e que ia "despedaçá-los como corresponde".
Dias depois das eleições, Cepeda anunciou que exerceria como líder da oposição e reconheceu sua derrota dizendo que seu concorrente seria o próximo presidente, embora com ressalvas.
Criticou "a ingerência" do presidente dos EUA, Donald Trump, que apoiou publicamente De la Espriella, e questionou que o advogado, com nacionalidade estadunidense além da colombiana, possa exercer seu cargo.
A lei colombiana indica que a qualidade de nacional colombiano não se perde pelo fato de adquirir outra nacionalidade e que os naturais nascidos na Colômbia tampouco perdem o direito de exercer cargos públicos se adquirem outra cidadania.
Cepeda também acusou De la Espriella de uma suposta compra de votos, para a qual não tornou pública nenhuma prova. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) completou a apuração sem reportar irregularidades dessa natureza.
O CNE, além disso, determinou que "ao não ser acreditada nenhuma causa de inelegibilidade ou inabilitação constitucionalmente prevista para aspirar à Presidência da República, não existe fundamento jurídico que permita aceder às solicitações de revogação contra a candidatura" de De la Espriella.
Isto, depois que um grupo de juristas pedisse revogar a candidatura do advogado no marco de sua dupla nacionalidade.
Até o momento nenhum órgão correspondente contradisse a postura do CNE.
De la Espriella obteve a cidadania estadunidense em 2023, "depois de anos de residir lá", segundo contou em sua conta do Instagram.
Em um comunicado anterior a esta entrevista com a BBC Mundo, Cepeda argumentou que essa naturalização como cidadão dos EUA estabeleceu uma "obrigação de lealdade exclusiva à ordem constitucional daquele país quando exista um conflito com outras ordens constitucionais".
Durante a cerimônia de naturalização estadunidense ocorre o chamado "juramento de lealdade", que diz: "Por este meio declaro, sob juramento, que renuncio e abjuro absoluta e completamente de toda lealdade e fidelidade a qualquer príncipe, potentado, Estado ou soberania estrangeiros, de quem ou dos quais tenha sido previamente súdito ou cidadão".
A BBC Mundo ofereceu direito de resposta ao time de De la Espriella após esta entrevista. Este meio foi remetido a enviar perguntas que até esta publicação não foram respondidas.
Após as vitórias da direita no Peru, Honduras, Chile ou Equador, a Colômbia soma-se à tendência do retrocesso da esquerda em eleições na América Latina. A que atribui isto?
Somos 12,7 milhões de pessoas; metade do país nas urnas.
Assim que vitórias ou derrotas são conceitos que, neste caso, são relativos. O país está dividido exatamente em duas metades, pelo menos o país eleitoral.
Assim que não, de maneira nenhuma: não somos o exemplo de uma derrota.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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