Sánchez reivindica a liderança da Espanha em saúde global com casos como o do hantavírus
Sánchez referiu-se a esse operativo em sua intervenção ante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, onde os 192 países membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) analisam as atuações que devem ser realizadas diante das questões de saúde pública global mais urgentes.
O chefe do Executivo participou deste evento apenas uma semana após a crise pelo hantavírus no cruzeiro holandês MV Hondius, cujos passageiros desembarcaram no porto tinerfeño de Granadilla de Abona antes de o navio continuar com sua tripulação até Roterdã (Países Baixos), onde atracou nesta segunda-feira.
Sánchez apontou que, ao se planejar o operativo, houve na Espanha quem se perguntasse se deveria ajudar os passageiros atendendo à solicitação da OMS ou abandoná-los à sua sorte.
Para ele, essa pergunta encerra um dos dilemas mais importantes do tempo atual, já que demonstra que ainda há quem acredite que o direito internacional é um cardápio à la carte, que as obrigações são opcionais e que a solidariedade depende da conveniência.
O fato de a Espanha responder a esse chamado permitiu evacuar mais de 120 pessoas, detectar casos de forma precoce e tratá-los antes que fosse demasiado tarde, destacou.
Mas apontou que houve uma segunda consequência, e é que quando um país atua com responsabilidade, outros respondem da mesma forma e a solidariedade se contagia.
"Quando o direito internacional é respeitado, ganhamos todos", destacou o presidente do Governo, que reconheceu que a Espanha é uma potência média que não pode compensar por si só os cortes que está sofrendo o sistema internacional de saúde, mas pode dar um passo adiante.
Nessa linha, sublinhou que a liderança internacional não consiste apenas em ter mais poder, mas que esta começa quando um país decide atuar ainda que outros recuem e é capaz de tecer alianças.
Sánchez fez também uma cerrada defesa da sanidade pública e gratuita, assim como da aposta da Espanha por ela com vontade política, recursos suficientes e uma cidadania que, segundo disse, demonstra humanidade sempre que pode, como o evidencia, a seu juízo, o fato de a Espanha bater recordes de doação de órgãos.
Para ele, a pandemia da Covid-19 deixou uma lição impossível de ignorar: não se pode proteger a saúde dentro das fronteiras de cada país se não se protege também fora delas.
Em consequência, considerou que investir em saúde global é investir em segurança para os países e também é uma questão de justiça, e o maior risco já não é a falta de ciência, mas de consciência.
A propósito disso, aludiu aos Estados Unidos para lamentar que o mesmo país que recortou cerca de 18.000 milhões de dólares em saúde global e ajuda ao desenvolvimento tenha gasto até agora mais de 29.000 milhões em uma guerra (a do Irã) cujas consequências humanitárias e geopolíticas afirmou que serão também devastadoras.
Frente a essa atitude, apostou pelo bom senso ante a guerra e em apoio do multilateralismo, ainda que admitido que esse bom senso se converteu em uma commodity rara.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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