Risco-se o investimento enquanto se protegem criptomineradores, alertam
Especialista em energia critica contradição nas políticas do país ao frustrar projeto de Atome enquanto tolera mineração irregular
O conflito desatado entre a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e a firma britânica Atome colocou sobre a mesa de debate uma profunda contradição nas políticas de investimento e no manejo estratégico da energia de nosso país. O reconhecido especialista na área energética, o professor Victorio Oxilia, adverte sobre a imagem que o país projeta ante o mundo ao arriscar um dos projetos industriais mais ambiciosos, enquanto as autoridades fazem vista grossa para o flagelo das criptomineradores irregulares que roubam a energia de todos os paraguaios.
Oxilia sustenta que se devem separar as águas, dividindo o complexo litígio em dois cenários muito distintos, mas que se encontram estreitamente relacionados. Por um lado, encontra-se o âmbito internacional, onde vigora um tratado bilateral de investimentos assinado com o Reino Unido na década de mil novecentos noventa e que atualmente se encontra em pleno vigor. Este transcendental acordo busca proteger aos investidores estrangeiros de possíveis enganos ou da geração de falsas expectativas que coloquem em risco seus altos capitais.
Este ponto é vital considerando que uma empresa da envergadura de Atome iniciou um complexo processo de captação de recursos baseando-se em promessas de benefícios discursadas pelo próprio Estado.
O objetivo da empresa internacional era captar cerca de setecentos milhões de dólares. Ante a repentina frustração destas expectativas, a firma emitiu um aviso prévio formal ao Estado, uma notificação de alerta com três meses de antecedência antes de chegar à indesejada instância de uma arbitragem internacional.
Por outro lado, o especialista detalha que existe um segundo cenário inevitável, um âmbito puramente interno e de caráter contratual que não pode ser ignorado. Trata-se fundamentalmente de um pré-contrato assinado entre a referida empresa e a companhia estatal de energia em 2022. Este documento preliminar incluía cláusulas que reservavam um importante bloco de potência elétrica para a companhia estrangeira, abrangendo entre sessenta e cento e vinte megawatts indispensáveis para o avanço operativo.
Na atualidade, o ponto de ruptura radica na imperativa necessidade de estabelecer uma adenda ou de assinar um novo contrato que outorgue a Atome uma imprescindível previsibilidade tarifária por um prolongado período de dez anos. Esta segurança financeira e jurídica é algo que, até o momento, não se logrou concretizar na mesa de negociações, o que derivou na paralisação e nos severos atrasos de todo o projeto.
Entretanto, o ponto crítico da análise do especialista não se centra de maneira exclusiva nos tecnicismos jurídicos ou nos tribunais externos, mas na "dupla moral" com a qual se administram os recursos estratégicos da República. Oxilia questiona a excessiva passividade institucional frente às operações clandestinas que desangram diariamente o sistema elétrico nacional sem aportar desenvolvimento algum.
"Como é que nós não reclamamos as criptomineradores irregulares que estão dispersas até nas casas?"Esta crucial pergunta desnuda uma realidade inegável e alarmante, onde diversas instalações de mineração operam "escondidas ali e fraudulentas e que estão levando muito mais dinheiro, muito mais energia que qualquer projeto Atome", atuando sob um manto de escuridão e impunidade que prejudica profundamente o país.
O contraste exposto pelo catedrático assinala as prioridades "totalmente distorcidas da gestão estatal". Enquanto se impõem interminhas travas e se sataniza um fabuloso complexo conformado por cinco indústrias conectadas que tem o enorme potencial de gerar diretamente entre quinhentos e mil empregos qualificados, além de dinamizar a economia formal e aportar de maneira muito significativa ao produto interno bruto, de maneira incompreensível se tolera a mineração clandestina que drena os recursos nacionais sem contrapartida alguma.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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