Resolução de juíza recusada desencadeia conflito por 900 hectares de chía e afeta indígenas
Magistrada teria emitido decisão para permitir ingresso de candidato do Partido Colorado em imóvel litigioso
Uma resolução judicial assinada pela juíza civil de Curuguaty Sonia Medina Paredes gerou um forte conflito em torno de uma finca onde existe um prolongado litígio judicial.
Os denunciantes sustentam que a magistrada emitiu a resolução para permitir o ingresso do candidato do Partido Colorado à Intendência de Yasy Cañy, Julio Vera, a um imóvel que nunca ocupou e sobre o qual não exercia posse, com o objetivo de intervir em uma produção de aproximadamente 900 hectares de chía.
De acordo com a denúncia, essa produção pertence ao produtor Luis Ferreira, que cultiva parte em uma propriedade de seu domínio e outra parte em uma finca alugada, onde o cultivo já foi colhido e a colheita deveria ser iniciada nos próximos dias.
Os afetados indicam ainda que o número da finca mencionado na resolução também compreende um setor ocupado há aproximadamente 30 anos pela comunidade indígena Arroyo Mokoĩ, onde vivem 45 famílias e contam com habitações construídas pela ex-Senavitat, atualmente Ministério de Urbanismo, Habitação e Habitat (MUVH); uma escola, um colégio e um posto de saúde.
O líder indígena Martín Sosa manifestou que são aproximadamente 244 hectares da comunidade que se veem afetados pela decisão da juíza, que já havia sido recusada em duas oportunidades.
Denunciou que várias famílias enfrentam dificuldades para acessar livremente suas habitações, razão pela qual expressou sua preocupação com as consequências que poderia gerar a execução da resolução.
Por sua parte, Eduardo Vázquez, representante legal do produtor Luis Ferreira, qualificou a decisão como uma
aberração jurídica, ao sustentar que uma juíza recusada não pode ditar resoluções enquanto esse incidente não seja resolvido.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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