Relatório devastador do PISA: Ministro de Educação atribui resultado à pandemia e a um modelo em crise
Luis Ramírez aponta problemas estruturais no ensino e defende mudanças radicais na metodologia educacional
Os baixos resultados do Paraguai no PISA 2025 devem-se a uma combinação de fatores que incluem o impacto da pandemia, a mudança do formato de avaliação de papel para computador e as limitações de um modelo de ensino que, segundo o ministro de Educação e Ciências Luis Ramírez, continua privilegiando a memorização.
"Temos que mudar radicalmente a maneira como estamos ensinando", afirmou ao analisar o desempenho dos estudantes. "As pessoas que foram avaliadas agora no PISA são jovens que viveram profundamente a pandemia".
O ministro também mencionou como fator a considerar a transição das provas do papel para o formato digital. "É a primeira vez que passamos do papel para o formato digital em computador", disse em contato com a Monumental 1080 AM.
Questionou ainda o modelo tradicional de ensino, especialmente em matemática, por sua ênfase em respostas únicas e conteúdos memorísticos. "Ainda temos modelos de ensino memorístico", sustentou, propondo que a escola deve desenvolver capacidades como comparar, interpretar, analisar e sintetizar.
O titular do MEC também apontou problemas relacionados ao tempo efetivo de aulas e às interrupções da jornada escolar. Conforme explicou, no Paraguai perdem-se horas de ensino por distintas atividades e situações, razão pela qual propôs a necessidade de garantir "mais horas de aula, mais tempo" para a aprendizagem.
Outro dos pontos assinalados por Ramírez foi a formação docente. Afirmou que desde sua chegada ao Ministério foram avaliados 109.509 mestres, dos quais 30.412 aprovaram e 79.159 reprovaram. "O processo passa muito fortemente pelos mestres, isso é categórico", sustentou.
Igualmente, propôs que a escola deve adaptar-se ao avanço tecnológico e priorizar habilidades que as ferramentas digitais não podem substituir. "O que precisamos é da capacidade de raciocinar, de poder interpretar o que lemos", sustentou, considerando que o ensino deve dar maior espaço à leitura, às matemáticas e às ciências.
Os resultados do PISA mostram que o Paraguai obteve 355 pontos em ciências, 352 em leitura e 334 em matemática, todos abaixo dos valores médios da OCDE, de 482, 461 e 463 pontos, respectivamente. Em ciências, 75,6% dos estudantes ficou abaixo do nível básico; em matemática, 90,4%, enquanto leitura registrou uma queda de 21 pontos frente a 2022.
Por sua vez, o presidente da República Santiago Peña defendeu as políticas implementadas por seu Governo e sustentou que a melhora educacional requer tempo. "A educação é uma política de Estado de longo prazo", afirmou.
Destacou a ampliação da alimentação escolar, a entrega de materiais de leitura e os investimentos em infraestrutura como medidas destinadas a melhorar as condições de aprendizagem. "Os resultados, vamos vê-los provavelmente em outros períodos de governo", afirmou, e assegurou que a combinação de ações é "muito auspiciosa" para o futuro.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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