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Paraguai

Reformas, emprego e serviços: O caminho para baixar da macro ao micro

04/05/2026 08:00 4 min lectura 41 visualizações
Reformas, empleo y servicios: El camino para bajar la macro a micro

Especialistas em economia propõem uma série de medidas estruturais de curto e médio prazo para que a macroeconomia finalmente impacte no bem-estar da população paraguaia, após observar que o crescimento econômico não se traduz automaticamente em melhorias concretas para as pessoas.

As propostas coincidem que o desafio não é unicamente de crescimento, mas de como essa expansão se distribui e se transforma em bem-estar para a população em geral. Os especialistas concordam ao assinalar que as reformas requerem tempo, coordenação e vontade política, num contexto onde a informalidade, o baixo investimento e as debilidades institucionais representam os principais obstáculos.

Fortalecimento de serviços públicos e institucionalidade

O ex-ministro da Fazenda Benigno López sustenta que o caminho passa principalmente por fortalecer os serviços públicos e a institucionalidade, especialmente em setores-chave como saúde e educação.

No setor saúde, propõe a necessidade de buscar um atendimento de qualidade com uma cesta de serviços sanitários completa, uma distribuição adequada de hospitais e o fortalecimento da atenção primária de saúde, onde se resolve 70% dos casos.

Em educação, acrescenta a importância de melhorar a formação e as condições, aproximando-se de padrões do Programa para a Evaluación Internacional de Estudiantes de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (PISA), além de capacitar os professores e fomentar o uso da tecnologia.

López também destaca a formalização como eixo central, ressaltando a estratégia de "formalização de baixo custo" para as micro, pequenas e médias empresas, embora adverta que os resultados requerem muito esforço e serão de longo prazo.

Finalmente, lembra que Paraguay arrasta um importante déficit em infraestrutura, o que limita o desenvolvimento e a competitividade, pelo que melhorar neste aspecto resulta fundamental para o progresso de todo o país.

Emprego de qualidade e política fiscal ativa

Desde uma visão mais estrutural, o economista Luis Rojas considera que o crescimento deve canalizar-se principalmente através do emprego de qualidade, impulsionado pelo setor privado, e uma política fiscal mais ativa, cujo responsável direto é o Governo.

"O setor privado deveria fazer chegar o crescimento e o desenvolvimento à população através da criação de empregos de qualidade, bem pagos, com boas condições e benefícios trabalhistas"

No entanto, Rojas adverte que o modelo atual, baseado na exportação de matérias-primas, gera pouco emprego e limita o impacto social do crescimento. Assinala que existe mais bem um efeito expulsor do campo, onde se desloca camponeses e indígenas de suas terras para explorar recursos naturais, sem que haja um processo importante de industrialização a nível urbano ou de geração de valor agregado.

Ante esta situação, propõe um papel mais ativo do Estado em conseguir uma arrecadação tributária de maneira gradual para posteriormente destinar os recursos para melhorias em educação, saúde, transporte público, pesquisa, inovação e reforma agrária.

Política fiscal progressiva

Rojas recomenda que o Governo implemente uma política fiscal que cobre impostos de maneira progressiva, principalmente aos setores de maiores rendas e ganhos, para investir esses recursos nos setores menos favorecidos, em situação de pobreza ou vulnerabilidade.

O especialista lembra que Paraguay mantém sua baixa pressão tributária de 11%, ou seja, baixos impostos, enquanto seu investimento público social segue sendo o mais baixo da região, situação que requer atenção para conseguir um desenvolvimento mais equitativo.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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